Em 22 de setembro de 2025, a Energisa reportou que o consumo consolidado em suas concessões atingiu 3.516,5 GWh em agosto (+2,5% ano a ano; +4,6% incluindo fornecimento não faturado). No acumulado de janeiro a agosto, o mercado cativo + TUSD somou 28.048,7 GWh (+0,8%; +0,9% com não faturado). O efeito base pesa: 2024 teve a maior alta em 18 anos (+10,6%) em meio a El Niño e ondas de calor, enquanto 2025 veio mais ameno (CDD -14,5%). Em agosto, as vendas no cativo caíram 1,3% e o TUSD cresceu 12,2%, refletindo a migração ao mercado livre; o quadro confirma a normalização pós-clima extremo já apontada no boletim de consumo de julho, com EPB +4,4%, TUSD +13,8% e perdas de 12,29% em 12 meses.
Oito de nove distribuidores cresceram no mês, com destaque para EMT (+6,6%), EPB (+6,3%) e ETO (+7,0%). A EMS recuou, impactada por clima mais frio em Campo Grande (média 1,5°C abaixo de ago/24), calendário de leitura menor e menor consumo de um grande cliente industrial que, em 2024, estava em testes. Por classe, residencial avançou 4,8% e comercial 2,7% — puxado por alimentos e hotéis, especialmente em EMT, EPB e ETO —; o rural cresceu 2,8%, e "outros" caiu 0,5% diante de ganhos de eficiência na iluminação pública. A indústria cedeu no mês, concentrada na EMS. No acumulado de oito meses, residencial sobe 2,3% e industrial 2,0%, com expansão de base de clientes e novas cargas; cinco de nove distribuidoras crescem, lideradas por EMT (+2,1%), EPB (+4,1%), ESE (+3,9%) e ETO (+3,6%).
As perdas totais ficaram em 12,07% em 12 meses (ago/25), abaixo do limite regulatório de 12,44% e menores que em jul/25 (12,29%). Essa disciplina — combinada a um ambiente regulatório mais previsível — tende a reduzir a volatilidade de caixa e a melhorar a visibilidade de recebíveis nas concessões. Um marco desse pano de fundo é a 6ª revisão tarifária da EPB aprovada em agosto, que recalibrou a receita requerida e os limites regulatórios de perdas, reforçando que a captura de eficiência e a estabilidade operacional caminham em paralelo à recomposição tarifária.
Para investidores, agosto reforça três vetores: volumes estabilizados após uma base climática excepcional, expansão do TUSD com a migração ao mercado livre e perdas controladas dentro do teto regulatório. Esse conjunto consolida a continuidade operacional iniciada no 2º trimestre e ajuda a dar tração à gestão de passivos no semestre, com alongamento de duration e suavização de picos futuros, materializada no bookbuilding da 24ª emissão de debêntures, de R$ 3,65 bilhões, concluído em 16/09. Vale lembrar que os dados do boletim são preliminares e não auditados, com detalhamento a ser apresentado no release trimestral.







