A Cosan reportou prejuízo de R$ 946 milhões no 2T25 no nível corporativo, com EBITDA sob gestão de R$ 6,0 bilhões, dívida líquida estável em R$ 17,5 bilhões e ICSD em 1,2x LTM. Diferentemente do 1T25, quando o prejuízo foi de R$ 1,788 bilhão, houve melhora sequencial puxada por menor despesa financeira (R$ 657 milhões) e alongamento do passivo, com custo médio reduzido para CDI+0,88% a.a. Na comparação anual, o resultado segue pressionado por efeitos não recorrentes do 2T24 (créditos de PIS/COFINS na Raízen e desinvestimento em Vale) e pelo impairment da Malha Sul da Rumo em 2024.

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Operacionalmente, o portfólio mostrou resiliência: Rumo transportou 21,8 bi TKU (EBITDA de R$ 2,279 bi), Compass ampliou o volume de gás em 9% e entregou EBITDA de R$ 1,216 bi, Moove registrou EBITDA de R$ 505 mi com início de reconhecimento de indenizações do sinistro no RJ, Radar somou R$ 134 mi, e a Raízen reportou EBITDA de R$ 1,890 bi em um trimestre impactado por moagem 21% menor e efeitos pontuais na operação de combustíveis na Argentina. O retrato é de diversificação amortecendo choques setoriais, enquanto a gestão financeira sustenta a trajetória de desalavancagem gradual.

No plano estratégico, a ênfase em foco no core, otimização de estruturas, reciclagem de portfólio e fortalecimento de capital referendada pela companhia neste trimestre consolida a agenda de realocação de ativos. Esse movimento dialoga com as abordagens de mercado envolvendo a Moove e a avaliação de alternativas de portfólio em julho de 2025, sinalizando coerência entre a narrativa de criação de valor e as ações exploratórias em ativos não essenciais. Em paralelo, a substituição de dívidas de curto por longo prazo reforça a disciplina de capital para atravessar a safra mais fraca da Raízen e capturar a normalização de volumes em logística no segundo semestre.

Para investidores, os vetores de curto prazo incluem: execução de desinvestimentos e eventuais parcerias em ativos adjacentes; avanço do liability management para reduzir custo e risco de refinanciamento; monetização de indenizações na Moove; e a curva de recuperação operacional em Raízen (moagem e Argentina) e Rumo (volumes e mix). A combinação dessas frentes tende a traduzir a melhora sequencial já observada, ainda que a base de comparação 2T24 permaneça distorcida por itens não recorrentes.

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