Na quarta-feira, 17 de setembro de 2025, a Azul comunicou que protocolou seu plano inicial de reorganização no âmbito do Chapter 11 no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York às 23:34:08 ET do dia 16, e que respondeu ao Ofício nº 190/2025 da CVM com Fato Relevante divulgado às 20:25:03, após o pregão. A companhia justificou a comunicação pós-fechamento com base no art. 5º da Resolução CVM 44 para evitar divulgação fragmentada e harmonizar horários entre mercados. Reforçou ainda que o Plano é público e coerente com a intenção de eliminar cerca de US$ 2 bilhões em dívida e levantar aproximadamente US$ 950 milhões em novos aportes, como desdobramento natural do processo. Em termos de cronograma, o passo materializa o protocolo do Plano e do Disclosure Statement em Nova York, marco que abre a etapa de divulgação, votação e confirmação típica do Chapter 11.
Do ponto de vista estratégico, o movimento consolida a rota anunciada meses antes: o Plano de Julho definiu metas de desalavancagem, simplificação de frota e um calendário claro — apresentação do Plano em setembro, audiência de divulgação em outubro e confirmação em dezembro — além da janela de saída do Chapter 11 entre dezembro/25 e fevereiro/26. Ao reiterar a redução de endividamento e a capitalização como vetores principais, a Azul sinaliza execução disciplinada do roteiro para emergir com estrutura de capital mais leve e margens estruturalmente mais saudáveis. Nesse sentido, a atual comunicação confirma premissas centrais do plano de reestruturação atualizado em julho, que projeta eliminar mais de US$ 2 bilhões em dívidas e detalha o cronograma.
No pilar de funding, a referência a aproximadamente US$ 950 milhões em novos recursos dialoga com a combinação de capital privado e apoio de parceiros estratégicos já ventilada pela companhia. A arquitetura financeira busca ancorar a saída do Chapter 11 com caixa suficiente para a transição, reduzir risco de refinanciamento e recompor a confiança no equity, sem pressionar a liquidez operacional. Dentro dessa estrutura, um backstop commitment de US$ 650 milhões para a capitalização funciona como âncora para a etapa de captação prevista. Em paralelo, a frente operacional tem removido custos e ajustado a frota sem comprometer a malha essencial — peça-chave para sustentar caixa, estabilidade de serviço e previsibilidade de margens durante a execução do Plano. A combinação de renegociações com lessors, retirada de contratos ociosos e preservação das rotas de maior contribuição cria base para queda do CASK estrutural e melhora da produtividade. Nessa linha, destaca-se a homologação do acordo com a AerCap e as rejeições de arrendamentos inoperantes, com mais de US$ 1 bilhão em economias, que fortalece o capítulo atual ao transformar ganhos jurídicos em eficiência recorrente.







