A Azul (AZUL4) informou que, em 17 de setembro de 2025, protocolou no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York o Plano de Reorganização no âmbito do Chapter 11 e o Disclosure Statement, alinhados aos RSAs firmados em 28/05/2025 com detentores de títulos, a AerCap e as parceiras United Airlines e American Airlines. Os documentos detalham o tratamento das diferentes classes de credores e marcam um passo central rumo à conclusão da reestruturação. O movimento cumpre o roteiro previamente anunciado e materializa o plano de reestruturação atualizado em julho, que já previa a apresentação do Plano em setembro, a audiência de divulgação em outubro e a confirmação em dezembro.
Na prática, a entrega do Plano e do Disclosure Statement abre a fase de audiência de divulgação (que avalia a suficiência das informações), a remessa de materiais de votação às classes elegíveis e, em seguida, a audiência de confirmação — sequência típica do Chapter 11. Esse encadeamento depende de visibilidade sobre o universo de créditos e de clareza documental para credores e para o juiz, reforçando a previsibilidade do processo e a disciplina na condução do case. Nesse contexto, o avanço de hoje dialoga diretamente com o marco processual que delimitou e organizou as habilitações de créditos, o Bar Date de 15 de setembro definido pelo tribunal. Com o prazo estabelecido e cumprido, a companhia ganha base para tabular classes, calibrar o tratamento proposto e reduzir incertezas jurídicas na reta final da negociação.
Do ponto de vista econômico-operacional, o Plano protocolado se apoia em pilares já chancelados pelo Tribunal que atacam o custo estrutural e a eficiência de frota, preservando a malha essencial. Entre eles, destacam-se a renegociação com a principal arrendadora e a retirada de contratos inoperantes, que somam mais de US$ 1 bilhão em economias estimadas ao longo do ciclo de reestruturação e dão previsibilidade à matriz de capacidade sem sacrificar rotas de maior contribuição, conforme a homologação do acordo com a AerCap e rejeição de arrendamentos inoperantes. Ao ancorar a reorganização em termos contratuais mais favoráveis e em simplificação de ativos, a Azul melhora o CASK estrutural e cria condições para margens mais saudáveis na saída do processo.
Além do arcabouço jurídico e dos ajustes contratuais, a empresa sinaliza que o plano caminha sustentado por execução operacional e avanço na desalavancagem. A combinação de caixa reforçado, melhora de produtividade e racionalização de frota descrita pela administração tem servido de ponte para a transição durante o Chapter 11, reduzindo riscos de refinanciamento e suavizando a trajetória de custos. Nesse sentido, os resultados do 2T25 com lucro, receita recorde e conversão de notas em ações reforçaram a capacidade de a companhia sustentar a operação enquanto equaciona o balanço. Assim, o protocolo do Plano e do Disclosure Statement alinha marcos processuais e fundamentos: prepara a etapa de votação e confirmação, enquanto consolida a estratégia de sair do Chapter 11 com estrutura de capital simplificada, frota mais eficiente e base para retomar a criação de valor no equity.







