A EMAE informou em 15 de setembro de 2025 que a Assembleia Geral Extraordinária aprovou reconsiderar a alteração do Artigo 2º do Estatuto Social — que ampliava o objeto social — restabelecendo a redação anterior. A decisão foi tomada porque o eventual pagamento de reembolso a acionistas dissidentes, decorrente do direito de recesso, poderia comprometer a capacidade de investimentos e a estabilidade econômico-financeira. As demais alterações aprovadas na AGOE de 30 de abril de 2025 (arts. 3, 17, 18 e 33) foram mantidas, com ajustes de forma, e o comunicado foi assinado pelo Diretor Financeiro e de RI, Gustavo Nasser Moreira.

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Estratégicamente, o recuo preserva caixa e foco para a agenda de crescimento já em execução. Em agosto, a companhia estruturou a governança do novo ativo ao aprovar a constituição da SPE Edgard de Souza para viabilizar a PCH e o project finance, um passo típico para ring-fence do projeto, captação de dívida e execução de um CAPEX estimado superior a R$ 200 milhões. Ao resguardar liquidez, a companhia mantém fôlego para licenças, fechamento financeiro e mobilização de obras, etapas que tipicamente exigem garantias, contrapartidas e covenant de alavancagem, incompatíveis com saídas extraordinárias de caixa decorrentes de reembolsos a dissidentes em momentos críticos do cronograma e de negociações contratuais com fornecedores e financiadores.

Na mesma direção, a segurança de receita de longo prazo já foi ancorada com a vitória no Leilão A‑5 com 13,4 MW médios a R$ 402,95/MWh, garantindo um contrato de 20 anos a partir de 2030 e reduzindo o risco de mercado do empreendimento. Com esse PPA indexado ao IPCA, o foco operacional recai sobre engenharia, suprimentos e gestão de riscos, além do cumprimento de marcos regulatórios e ambientais. Qualquer dispersão estratégica ou consumo de caixa não planejado poderia deteriorar métricas de alavancagem, encarecer o custo da dívida e pressionar cronogramas.

Adicionalmente, a EMAE sinalizou gestão ativa de capital ao negociar a aquisição de debêntures conversíveis, bônus e units da Light, uma operação de cerca de R$ 250 milhões condicionada à anuência da ANEEL e a condições precedentes. Ao evitar o reembolso de ações agora, a companhia preserva flexibilidade para alocar capital conforme janelas regulatórias e oportunidades de retorno ajustado ao risco, mantendo coerência com a disciplina de 2025: consolidar o pipeline orgânico da PCH e combinar crescimento com alocação financeira criteriosa.

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