No 30º Encontro de Investidores (Cemig Day), em 10 de setembro de 2025, a CEMIG reportou recordes financeiros em 12 meses até jun/25: lucro líquido de R$ 6,502 bilhões, EBITDA de R$ 10,708 bilhões, receita líquida de R$ 41,956 bilhões, investimentos de R$ 6,022 bilhões e proventos de R$ 5,475 bilhões (R$ 1,91/ação). A alavancagem (DL/EBITDA recorrente) foi de 1,59x e a base de acionistas alcançou 566 mil. A companhia reafirmou o maior plano de investimentos da história (R$ 59,1 bilhões em 2019–2029, sendo R$ 23,5 bilhões já realizados) e destacou o “melhor rating da história” (AAA Fitch desde 2024 e Moody’s em 2025), além de R$ 1,7 bilhão em TI, com ADMS pleno e SAP S/4HANA previstos para 2026, e avanços ESG (25 anos no DJSI e meta de net zero 2040). Esse reconhecimento de crédito dá continuidade ao upgrade para AAA anunciado em setembro de 2025, amparado por alavancagem disciplinada e gestão de passivos, e ajuda a explicar a combinação de capex robusto com remuneração relevante ao acionista.

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Na narrativa estratégica, a administração contrapôs 2009/18 — quando houve descumprimento de parâmetros regulatórios (>R$ 9 bilhões), investimentos minoritários de R$ 45,5 bilhões com “destruição de valor” (>R$ 16,1 bilhões) e perda de 2.922 MW — ao ciclo 2019/25, marcado por enquadramento regulatório, desinvestimentos com recuperação de caixa (>R$ 12,1 bilhões) e preparo para renovar as concessões de Sá Carvalho, Nova Ponte e Emborcação (1.780 MW). Em distribuição, a empresa avançou com soluções tecnológicas, troca de estruturas de madeira por metálicas, mais de 3,9 milhões de podas (740 mil em 2025), 138 subestações, conversão de 9.984 km de rede trifásica, conexão de 5 GW de GD, 257 MW fotovoltaicos e construção do gasoduto Centro-Oeste. Esse arranjo operacional-financeiro também é sequência da extensão das concessões de Queimado, Pai Joaquim e Irapé via leilão do GSF, que alongou fluxos de caixa e fortaleceu a preparação para renovação de ativos relevantes.

Nos indicadores de qualidade, o DEC caiu de 18,77 horas (jan/24) para 15,84 horas (jun/25), enquanto a empresa registrou ganhos acumulados de R$ 844 milhões com cobertura regulatória desde 2020 e de R$ 2,2 bilhões com perdas regulatórias desde 2021. O resultado em 12 meses combina EBITDA de R$ 10,7 bilhões com alavancagem de 1,59x e proventos de R$ 5,5 bilhões, reforçando o equilíbrio entre capex e payout. Esse desenho confirma a trajetória já percebida nos indicadores do 2T25, com Ebitda ajustado em alta, capex acelerando e alavancagem ao redor de 1,6x, quando a Cemig reforçou previsibilidade de caixa, disciplina de risco em geração e ganhos operacionais em distribuição.

No eixo regulatório, a previsibilidade da distribuição é peça-chave para acomodar reembolsos e créditos setoriais sem pressionar a liquidez. Por isso, os ganhos com cobertura e perdas regulatórias, somados ao DEC dentro dos limites, dialogam com a decisão do STF na ADI 7.324 sobre devolução de tributos e absorção via ciclo tarifário na Cemig D, que tende a suavizar impactos no fluxo de caixa. Olhando adiante, a empresa mantém foco em Minas Gerais e nos vetores de modernização de ativos e redes inteligentes, participação em leilões de transmissão, expansão de gasodutos (biometano e hidrogênio verde), soluções de capacidade e flexibilidade (LRCap, BESS e usinas reversíveis) e continuidade da transformação digital (ADMS e SAP S/4HANA em 2026) — consolidando a virada estrutural iniciada em 2019 e a construção de um perfil de risco mais estável e rentável.

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