A CEMIG reportou no 2T25 lucro líquido de R$ 1,188 bilhão e Ebitda de R$ 2,009 bilhões (R$ 2,212 bilhões ajustado). Embora o Ebitda IFRS tenha recuado 15,3% na comparação anual, o Ebitda ajustado avançou 15,4% e o lucro ajustado cresceu 16,6%, evidenciando a resiliência do portfólio. Na divisão por segmentos, o Ebitda IFRS foi impactado por diferença de preços entre submercados, sobretudo em geração (Cemig GT: -37%), enquanto distribuição (Cemig D: -9%) absorveu o reajuste tarifário médio de 7,78% a partir de 28/mai, com Opex abaixo do regulatório e perdas dentro da cobertura. A comercialização registrou efeito líquido negativo de R$ 69,1 milhões, e a Gasmig seguiu em alta moderada de Ebitda (+2,5%).

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Este trimestre também traduz a continuidade de uma agenda de previsibilidade em geração: a companhia já havia garantido a extensão das concessões das usinas Queimado, Pai Joaquim e Irapé via leilão do GSF, ampliando a visibilidade de caixa e mitigando riscos hidrológicos justamente quando a exposição ao PLD entre submercados pressionou os resultados da GT. Ao prolongar a vida útil desses ativos, a CEMIG suaviza o perfil de receitas futuras e equilibra a volatilidade conjuntural. Somam-se a isso um ciclo de investimentos robusto (R$ 2,8 bilhões no 1S25, com forte alocação em distribuição e aceleração em transmissão) e uma estrutura de capital conservadora (1,6x dívida líquida/Ebitda ajustado), sustentadas por emissões alongadas e captação com hedge. Essa disciplina de capital está alinhada à simplificação da estrutura de listagem internacional com a saída da Latibex, movimento que concentra a relação com o mercado nos canais de maior liquidez e reduz complexidade operacional, reforçando o foco em eficiência.

No eixo de remuneração, o conselho declarou JCP de R$ 596,7 milhões em junho, reforçando uma política que combina previsibilidade de pagamentos e eficiência fiscal — continuidade do JCP de R$ 596,7 milhões anunciado em junho de 2025 e do histórico recente de proventos generosos. A mensagem central ao investidor é de equilíbrio: ao mesmo tempo em que a empresa sustenta capex elevado e alonga passivos, mantém a distribuição regular de caixa, amparada por indicadores operacionais ajustados mais fortes e por um portfólio diversificado que dilui choques de curto prazo. Por fim, vale lembrar que o processo de avaliação econômico‑financeira pelo BNDES no âmbito do Propag está ligado ao controlador (Estado de Minas Gerais) e não altera a estratégia corporativa nem a capacidade de investimento da companhia, que segue pautada por disciplina financeira e otimização de ativos.

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