Nesta quarta-feira, 3 de setembro de 2025, a CEMIG (CMIG3, CMIG4) informou que a Moody’s Local Brasil elevou o rating corporativo da Companhia e de suas subsidiárias integrais CEMIG Distribuição e CEMIG Geração e Transmissão, de AA+ para AAA.br, com perspectiva estável. Com a decisão, a elétrica passa a ostentar AAA por duas das principais agências, já que a Fitch havia promovido a elevação em outubro de 2024. Segundo a Moody’s, o upgrade reflete gestão financeira prudente, liquidez alongada e geração de caixa operacional estável e previsível — pontos alinhados ao compromisso da companhia com alongamento do prazo médio da dívida, gestão estratégica de passivos e eficiência no custo de capital.

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Estruturalmente, este movimento consolida a disciplina de alavancagem e a governança financeira que a CEMIG vinha sinalizando ao mercado. No 2º trimestre de 2025, a companhia evidenciou uma estrutura de capital conservadora e o uso de emissões alongadas com hedge, com foco em previsibilidade e proteção ao balanço — elementos detalhados nos indicadores do 2T25, incluindo a estrutura de capital conservadora (1,6x dívida líquida/Ebitda) e emissões alongadas com hedge. Desde então, a comunicação corporativa tem enfatizado o equilíbrio entre capex robusto, manutenção de liquidez e compromisso de remuneração ao acionista, compondo um perfil de risco que privilegia estabilidade de fluxo de caixa. A combinação de portfólio diversificado, prudência na gestão de passivos e transparência regulatória reduz volatilidade de resultados e sustenta a percepção de crédito.

A previsibilidade destacada pela Moody’s também se ancora em iniciativas operacionais que aumentam a visibilidade de receitas futuras. No eixo de geração, a CEMIG estendeu a vida útil de ativos relevantes por meio da extensão das concessões de Queimado, Pai Joaquim e Irapé via leilão do GSF, o que suaviza riscos hidrológicos e amplia a duração dos fluxos de caixa desses ativos. Ao prolongar concessões e calibrar exposição ao mercado, a companhia reduz a sensibilidade a choques conjunturais de PLD e consolida um mix de receitas mais estável, reforçando as bases para ratings de longo prazo e perspectivas estáveis.

Na distribuição, a previsibilidade de caixa depende não apenas de eficiência operacional, mas também de marcos regulatórios e do cronograma de reembolsos setoriais. Nesse sentido, a decisão do STF na ADI 7.324 e o desempenho regulatório-operacional da Cemig D ajudam a contextualizar como potenciais devoluções aos consumidores tendem a ser acomodadas no ciclo tarifário, minimizando volatilidade de caixa. A combinação de Opex abaixo do regulatório, perdas sob controle e reajustes em linha com a agência cria um colchão de resiliência, compatível com a leitura de liquidez sólida e conservadorismo financeiro assumidos pela Moody’s.

Por fim, mesmo quando surgem eventos externos vinculados ao controlador, a empresa tem reiterado que sua estratégia e capacidade de investimento permanecem íntegras. A avaliação econômico-financeira pelo BNDES no âmbito do Propag, ligada ao controlador é um exemplo de tema que gerou ruído no noticiário, mas não alterou a tese corporativa. O upgrade para AAA, agora por duas agências, indica que o mercado de crédito reconhece essa separação, premiando a combinação de liquidez alongada, gestão de passivos disciplinada e portfólio com geração de caixa previsível.

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