Na 32ª Conferência Anual de Energia da Pareto, a OceanPact apresentou um retrato de 12 meses até jun/25 com receita de US$ 316 mi, EBITDA ajustado de US$ 90 mi (margem 28%) e dívida bancária líquida de US$ 210 mi, equivalente a 2,3x. Em base histórica, a receita evoluiu de US$ 295 mi (2023) para US$ 303 mi (2024), enquanto o EBITDA foi de US$ 87 mi para US$ 94 mi; a alavancagem saiu de 2,1x (2023) para 1,9x (2024). A companhia detalhou portfólio em dois segmentos – Embarcações (26 ativos, com contratos de dayrate e combustível pago pelo cliente) e Serviços (geofísica, geotecnia, licenciamento e consultoria) – com 60% do EBITDA LTM vindo de Embarcações e 40% de Serviços. No pano de fundo setorial, a frota brasileira soma ~505 embarcações de apoio, dayrates de referência (PSV: US$ 28k; AHTS 180t: US$ 46k; RSV 30t: US$ 78k; OSRV 750: US$ 59k) e um pipeline de ~19 FPSOs até 2030+, enquanto a Petrobras acena com novas construções (PSVs, OSRVs, RSVs e AHTS-R) a partir de 2028. Entre os vetores de valor, a OceanPact ressalta a rolagem de contratos legados entre 2025-2026, novas contratações no 1T26-2T26 e oportunidades em descomissionamento, ROVs, parcerias internacionais e Margem Equatorial, além da proteção da bandeira brasileira.

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Este posicionamento consolida a virada operacional iniciada pela empresa, em linha com a trajetória de alta de diárias e ocupação reportada no 2T25, quando Embarcações e Serviços já exibiam expansão de receita e margens saudáveis. A combinação de dayrates de referência mais elevados e a escassez relativa de oferta até a entrada das novas embarcações da Petrobras (a partir de 2028) tende a favorecer a precificação nos próximos ciclos de renovação, sobretudo na substituição de contratos legados. Ao mesmo tempo, o pipeline comercial destacado no evento (RSVs, contratos de longo prazo, descomissionamento e aquisição de ROVs) dialoga com a demanda projetada pelo cronograma de FPSOs e pelo Plano 25-29 de descomissionamento (US$ 9,9 bi), que cria avenida de backlog para Serviços e captura de margens em Embarcações. O mix atual de 60%/40% no EBITDA LTM também é coerente com o ganho de tração observado em 2025, apontando para continuidade de ocupação elevada, ramp-up de contratos e monetização da “virada de preço”.

No eixo financeiro, a manutenção de alavancagem em patamar de 2,3x no LTM se apoia na 7ª emissão de debêntures concluída a CDI + 2,00%, que reforça o alongamento de passivos e a redução do custo médio da dívida. Esse reequilíbrio de capital é peça-chave para capturar o ciclo de diárias mais altas, financiar a renovação de frota e a compra de ROVs, e sustentar capital de giro para novos contratos a iniciar no 1T26-2T26. Com a frota posicionada em contratos de longo prazo e o combustível custeado pelo cliente, a companhia preserva margem operacional e reduz volatilidade, enquanto prepara a “segunda perna” de crescimento orgânico: a reprecificação de embarcações que saem de contratos legados em 2025-2026 e a entrada de projetos de Serviços vinculados a FPSOs e descomissionamento. O racional estratégico combina disciplina financeira, rolagem de contratos a preços superiores e exposição a avenidas de crescimento setorial, pilares que tendem a sustentar EBITDA, lucro e caixa nos próximos trimestres.

Em sequência a essa agenda de capital, a gestão vem executando liability management de forma coordenada, coroado pelo resgate antecipado da 4ª emissão em 31 de julho. A simplificação da estrutura de dívidas reduz pressão financeira, melhora a previsibilidade de caixa e fortalece a capacidade de investimento exatamente quando a empresa enfrenta a janela de renegociação de contratos e capta oportunidades em descomissionamento e Margem Equatorial. Em síntese, o que a OceanPact apresentou na conferência não é um ponto fora da curva, mas a continuidade de uma estratégia que combina: (i) melhora operacional e comercial, (ii) reprecificação progressiva de ativos, e (iii) balanço preparado para sustentar expansão com retorno ajustado ao risco.

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