A Ultrapar (UGPA3) obteve, em 20 de agosto de 2025, a aprovação unânime e sem restrições do CADE para a parceria entre a Ultragaz e a Supergasbrás na construção e operação de um terminal de GLP no Porto de Pecém (CE). A iniciativa será viabilizada por uma SPE com participação igualitária, prevendo capacidade de armazenagem de cerca de 62 mil toneladas e investimento total de R$ 1,2 bilhão, dividido entre as partes, com conclusão estimada para 2028. O projeto tem como objetivo reforçar a segurança de abastecimento de GLP nas regiões Norte e Nordeste, historicamente deficitárias na produção nacional, e dá sequência ao plano anunciado em novembro de 2024 que estruturou a parceria para Pecém.
Estratégica e operacionalmente, a decisão consolida a ampliação da plataforma logística e de energia da Ultrapar, criando um novo hub de tancagem e escoamento que reduz gargalos e amplia redundância no supply de GLP. O movimento dá continuidade à expansão destacada quando o 2T25 marcou a ampliação da plataforma logística e o avanço de capacidade futura (Paulínia/Opla e Palmeirante), além de ganhos de eficiência na Ultragaz. Ao posicionar Pecém como ativo de infraestrutura de longo prazo, a companhia reforça sua capacidade de atender mercados carentes e capturar oportunidades de importação e distribuição com maior previsibilidade operacional.
Em termos de alocação de capital, o investimento de R$ 1,2 bilhão, dividido igualmente entre as partes, será distribuído ao longo da obra até 2028, o que reduz pressão de caixa e permite manter alavancagem sob controle. Essa opção preserva a estratégia de equilibrar crescimento orgânico em logística com remuneração ao acionista, priorizando previsibilidade e retorno por ação mesmo em um setor sujeito a volatilidade. A coerência aparece nos dividendos de R$ 326 milhões aprovados em agosto de 2025, evidenciando disciplina na combinação entre investimentos e retorno ao investidor. Ao diluir os desembolsos ao longo do ciclo de obras e manter foco em eficiência, a empresa sinaliza que o novo terminal se soma a uma tese de criação de valor sustentada por caixa robusto e moderação na alavancagem. Em paralelo, a continuidade de mecanismos de retorno como o programa de recompra concluído com 25 milhões de ações reforça que Pecém complementa — e não substitui — a prioridade de elevar o retorno por ação.







