A Ultrapar (UGPA3) entregou um 2T25 de recordes: lucro líquido de R$ 1.151 milhões, receita de R$ 34.088 milhões e EBITDA Ajustado recorrente de R$ 1.468 milhões. O resultado captura a consolidação da Hidrovias do Brasil (HBSA3) a partir de maio e o reconhecimento líquido de créditos fiscais extraordinários de R$ 677 milhões, além de um financeiro menos pressionado (-R$ 31 milhões) favorecido pela atualização monetária desses créditos e pelo ganho na recompra de bonds da Hidrovias. Operacionalmente, Ipiranga sentiu a continuidade das irregularidades no setor de combustíveis, com queda de volume e perda de estoque, enquanto Ultragaz avançou em mix e eficiência e Ultracargo absorveu custos de ramp-up em Paulínia (Opla) e Palmeirante. A alavancagem ficou em 1,9x EBITDA LTM, após geração de caixa operacional de R$ 1.848 milhões.

Continua após o anúncio

Este resultado consolida a virada operacional iniciada com disciplina de capital e foco em retorno por ação. A remuneração ao acionista foi reforçada pela distribuição de R$ 326 milhões em dividendos referente ao 1S25, anunciada na mesma data, sinalizando previsibilidade mesmo em um trimestre ainda desafiado na Ipiranga. Diferentemente do 1T25, quando a base de comparação ainda refletia pressão setorial mais intensa, o 2T25 combina melhora do financeiro, integra a Hidrovias e acelera iniciativas regulatórias (monofasia do PIS/COFINS no etanol e responsabilização solidária do ICMS em SP) que tendem a reduzir assimetrias competitivas adiante. No passivo, a redução de risco sacado (R$ 909 milhões) e a emissão de R$ 1 bilhão em Ipiranga a 106% do CDI apontam para gestão ativa da estrutura de capital.

O movimento dá continuidade à estratégia anunciada de elevar o retorno por ação, sustentada pelo programa de recompra concluído com 25 milhões de ações. A conclusão do buyback, somada à aprovação dos dividendos, cria um duplo vetor de remuneração que potencializa o efeito do crescimento do EBITDA recorrente e dos créditos fiscais sobre o lucro por ação, ao mesmo tempo em que a companhia investe na expansão orgânica (Paulínia/Opla, Palmeirante) e captura sinergias com a Hidrovias. Os números confirmam a capacidade de a Ultrapar equilibrar investimentos e retorno ao acionista, preservando alavancagem moderada e caixa gerado para financiar o ciclo de crescimento em logística e energia.

Além da alocação de capital, a governança operacional foi preparada para sustentar esse ritmo de eventos societários, como evidencia a mudança do banco escriturador para o Itaú em agosto, facilitando a execução de pagamentos e comunicações aos investidores. Em síntese, o 2T25 marca um capítulo de consolidação: a integração da Hidrovias amplia a plataforma logística, Ultragaz mantém ganho de eficiência, Ultracargo avança na capacidade futura, e a política de remuneração — com dividendos e recompras — reforça a tese de consistência de longo prazo. A teleconferência de 14 de agosto deverá detalhar o ritmo de normalização do mercado de combustíveis e os próximos passos de integração e investimentos.

Publicidade
Tags:
UltraparUGPA3