Na segunda-feira, 18 de agosto de 2025, a Suzano aprovou a 1ª emissão de 2.000.000 de cédulas de produto rural com liquidação financeira (CPR-Fs), em até três séries, com valor unitário de R$ 1.000, totalizando R$ 2 bilhões. A oferta pública seguirá o rito automático de registro da Resolução CVM 160, dado o status de EGEM e EFRF, com alocação por “Sistema de Vasos Comunicantes” (1ª série até 500 mil CPR-Fs, podendo ser cancelada conforme o bookbuilding; 2ª e 3ª séries com, no mínimo, 750 mil cada). As reservas serão coletadas sem lotes mínimos ou máximos, e os recursos líquidos serão integralmente destinados à formação e exploração de florestas homogêneas e à conservação de floresta nativa, sujeitos às condições de mercado.
Este movimento consolida a estratégia de financiar a base florestal e capturar eficiência estrutural iniciada recentemente. Ele direciona capital exatamente para o eixo "Terras e Florestas" que ganhou prioridade após a revisão do CAPEX 2025 para R$ 13,3 bilhões após a permuta de madeira com a Eldorado. Ao usar CPR-F — instrumento típico do agronegócio — a Suzano cria um canal dedicado ao plantio, manejo e conservação, favorecendo o alongamento da idade média dos talhões, a redução do custo de colheita e do consumo específico de madeira por tonelada de celulose. Além disso, a estrutura em séries e o mecanismo de vasos comunicantes permitem calibrar o montante por demanda de investidores, preservando flexibilidade financeira em um momento de ciclo ainda volátil para a celulose. O foco em floresta nativa também reforça a visão de sustentabilidade integrada ao modelo de negócios.
A decisão também conversa com a governança de disclosure e a lógica de retorno explicitadas na resposta ao Ofício da CVM que amarrou o Fato Relevante à revisão de CAPEX e detalhou premissas de ROI e opcionalidade em Ribas. Ao carimbar recursos para a formação e exploração florestal, a companhia reforça que a criação de valor virá principalmente via eficiência biológica e logística da madeira, mantendo a possibilidade de ajustar volumes apenas se o mercado justificar. Isso dá continuidade a uma postura de gestão de ciclo que prioriza margens sobre volume, evidenciada pela redução voluntária de 3,5% da produção anunciada em 6 de agosto, e cria uma ponte clara entre o financiamento florestal de hoje e os ganhos operacionais projetados para os próximos trimestres.







