No domingo, 17 de agosto de 2025, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) comunicou a renúncia de dois integrantes do Conselho Fiscal: André Francez Nassar (membro efetivo) e Diego Xavier Mendes (membro suplente). Nassar apresentou carta em 8 de agosto e Mendes em 16 de agosto. A companhia informou que tomará as medidas necessárias para a eleição de substitutos “na forma da lei” e manterá o mercado atualizado. O comunicado é assinado por Rafael Russowsky, vice-presidente de Finanças e diretor de Relações com Investidores.

Continua após o anúncio

Esse ajuste na fiscalização estatutária dialoga com a trilha recente de reforço de governança, inaugurada pela criação do Comitê Financeiro e de Auditoria em julho. Desde então, o GPA vem calibrando estruturas de supervisão para elevar a disciplina sobre controles, alocação de capital e conformidade regulatória, em linha com as exigências da CVM e com um ambiente corporativo que exige maior escrutínio sobre finanças e riscos. A renúncia no Conselho Fiscal, portanto, não se apresenta como ruptura, mas como mais um passo de realinhamento institucional que tende a preservar a estabilidade, enquanto a empresa recompõe cadeiras com perfil técnico adequado e continuidade de pautas prioritárias.

Na mesma direção de ajustes sem comprometer o arcabouço de controle, dias antes houve a renúncia de membros do Comitê Financeiro e de Auditoria em 14 de agosto, com os conselheiros permanecendo no Board e o comitê preservando maioria independente e especialistas contábeis. O encadeamento desses eventos sugere uma etapa de “afinamento” da governança: revisar composição, manter quóruns qualificados e garantir que os fóruns de auditoria, conselho fiscal e conselho de administração estejam integrados em agenda comum de transparência, performance e gestão de riscos, alinhando ritos de decisão e papéis de supervisão sem descontinuar a estratégia em curso.

Essa reconfiguração institucional também conversa com o pivô estratégico em execução, que prioriza rentabilidade e maturação de lojas em detrimento da expansão acelerada, materializado na descontinuação das projeções de 300 lojas para 2022–2026. Ao reduzir o apetite por crescimento orgânico e elevar a régua de retorno sobre o capital investido, o GPA aumenta a importância de conselhos e comitês atuantes para filtrar projetos, revisar portfólio e acompanhar KPIs de produtividade por formato. Nesse contexto, mudanças pontuais na composição de órgãos de controle tendem a reforçar o alinhamento entre estratégia, execução e governança financeira, sustentando a trajetória de recuperação operacional observada recentemente.

Por fim, esse ciclo de reforço de governança ocorre em paralelo à renovação da base acionária, com a entrada da família Coelho Diniz como acionista relevante (17,7%). A presença de um novo bloco com participação significativa, ainda que sem intenção declarada de influenciar o controle, aumenta o escrutínio sobre decisões estratégicas e acelera a institucionalização de práticas de supervisão. Em suma, as renúncias no Conselho Fiscal se integram a um processo mais amplo de consolidação de controles, disciplina de capital e accountability perante um acionariado mais plural e atento.

Publicidade
Tags:
Grupo Pão de Açucar - GPAPCAR3