O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no 2T25, com ROE de 8,4% (R$ 7,4 bilhões no 1T25 e R$ 9,5 bilhões no 2T24). O banco atualizou o guidance de 2025: crescimento da carteira entre 3% e 6% para PF e PJ e de 0% a 3% no Agronegócio; Margem Financeira Bruta (NII) entre R$ 102 e R$ 105 bilhões; Receitas de Serviços de R$ 53 a R$ 56 bilhões; e lucro líquido ajustado de R$ 21 a R$ 25 bilhões. A carteira expandida chegou a R$ 1,294 trilhão (+11,2% a/a), com NPL +90d de 4,21% e índice de cobertura de 179,2%. O custo de crédito atingiu 4,66% no trimestre, e o NIM ficou em 4,6%. Em capital, o Capital Principal foi de 14,14%. O banco destacou ainda a migração, desde o 1T25, do resultado de TVMs privados com característica de crédito da Tesouraria para Receitas Financeiras de Crédito, conforme a Resolução 4.966/21.

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A revisão do guidance sinaliza ajuste de rota e retoma, com parâmetros mais conservadores, o balizamento do ano após a suspensão das projeções de lucro para 2025 diante do agravamento da inadimplência no agronegócio. As novas faixas — NII de R$ 102-105 bi, serviços de R$ 53-56 bi e lucro de R$ 21-25 bi — sugerem segundo semestre ainda pressionado por custo de crédito (R$ 26,1 bilhões no 1S25 vs. R$ 16,3 bilhões no 1S24) e normalização gradual da inadimplência. Ao mesmo tempo, o recorte por segmentos indica expansão seletiva: PF e PJ avançam, enquanto o Agro permanece contido (0% a 3%), preservando qualidade e cobertura de provisões.

No Agronegócio, a carteira recuou 0,3% t/t (NPL +90d de 3,49% e cobertura de 206,3%), reforçando a priorização de risco após a indicação de Gilson Alceu Bittencourt para Vice‑Presidente de Agronegócios. Esse ajuste é coerente com o guidance mais comedido para o setor e com o redesenho do mix de crédito, que privilegia originação com melhores garantias e spreads ajustados ao risco. O efeito colateral é a moderação do NIM no curto prazo, compensada por menor consumo de capital e estabilidade do índice de cobertura. Em PJ, o avanço em Grandes Empresas e MPMEs, com NPL +90d de 4,18% e cobertura de 174,7%, sugere reprecificação e seleção de contrapartes como vetores de rentabilidade para compensar a menor contribuição do Agro.

Do ponto de vista de governança e comunicação com o mercado, o resultado publicado hoje conclui o ciclo iniciado com o cronograma e o quiet period, preservando a simetria de informações e a leitura do impacto contábil da reclassificação de TVMs sobre o NII. Diferentemente do 1T25, quando o banco exibiu RSPL de 16,7% em um ambiente ainda menos pressionado por provisões, o 2T25 evidencia o esforço de recalibragem para estabilidade no segundo semestre. Esse processo dialoga com o período de silêncio iniciado em 30 de julho e a explicação sobre oscilações atípicas das ações com base em dados do Bacen, reforçando previsibilidade e disciplina de disclosure enquanto o banco reancora expectativas pelo novo guidance.

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