Na quarta-feira, 13 de agosto de 2025, a Casas Bahia reportou os resultados do 2T25: prejuízo líquido de R$ 555 milhões, apesar do sétimo trimestre consecutivo de evolução operacional. A receita líquida avançou 6,0% (R$ 6,867 bilhões), o GMV cresceu 7,6% (R$ 10,5 bilhões) e o EBITDA ajustado atingiu R$ 572 milhões (margem de 8,3%), enquanto o EBIT subiu para R$ 283 milhões (margem de 4,1%). O resultado líquido foi pressionado pela despesa financeira em um ambiente de CDI mais alto e por efeitos de estrutura de dívida. A companhia reduziu a dívida líquida em 40% (para R$ 2,5 bilhões), gerou fluxo de caixa livre positivo e alongou passivos após a conversão da 10ª emissão, reforçando o Plano de Transformação. Esse balanço chega na esteira da mudança de controle para a Mapa Capital, via conversão de R$ 1,648 bi em debêntures.

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Do lado comercial, as lojas físicas cresceram SSS em 6,7%, com GMV de R$ 6,3 bilhões, enquanto o e-commerce avançou 10,4%, puxado pelo 3P (+16,2%) e take rate de 12,5%, fortalecendo a resiliência do mix. A disciplina de custos também apareceu: despesas de vendas, gerais e administrativas recuaram 2,9% e diminuíram 2,1 p.p. como percentual da receita. A rede segue sendo otimizada, com fechamento de 22 lojas no trimestre, e o saldo de liquidez (incluindo recebíveis) somou R$ 3,0 bilhões. A monetização de tributos atingiu R$ 396 milhões e as contingências trabalhistas caíram 43% a/a, aliviando passivos. Esses movimentos operacionais e financeiros dão continuidade ao memorando de entendimentos de junho que previa a conversão de R$ 1,566 bi da 10ª emissão e a reancoragem do balanço.

Importante notar que a administração considera o 2T25 “não comparável” ao 2T24 devido à modificação da dívida naquele período. Mesmo contabilizando juros das debêntures, não houve desembolso de caixa por carência contratual; após a conversão, 100% dos vencimentos migraram para o longo prazo a custo médio de CDI + 1,28 a.a. No crédito ao consumidor, a carteira alcançou R$ 6,2 bilhões (+11,3% a/a), com over 90 em 8,4% e perdas de 4,0%, sinalizando controle de risco em meio à retomada de vendas e à recomposição de margem (a maior em 27 meses). O apetite institucional pelo turnaround ficou evidente com a posição de 5% em derivativos do JPMorgan em julho, indicando confiança no redesenho financeiro e na execução.

Em governança, o processo teve marcos e comunicação frequente com o mercado. Antes da consolidação do novo controle, a companhia detalhou que ainda não possuía controlador e que a operação com a Mapa dependia de condições precedentes e aprovações, reforçando transparência e previsibilidade ao investidor. Nas semanas seguintes, as autorizações foram obtidas e a conversão se materializou, culminando na nova estrutura acionária e em mais um passo de desalavancagem. Esse encadeamento ajuda a ler o 2T25: uma operação em recuperação, mas com a linha financeira ainda refletindo o custo do dinheiro; a tendência, contudo, é de captura de ganhos de mix (3P e marketplace), eficiência de SG&A e crédito com qualidade. Esse capítulo se conecta ao esclarecimento à CVM de julho sobre a ausência de controlador e condições pendentes da transação, que pavimentou a conclusão vista em agosto.

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