Os números do 2T25 da Tupy mostram resiliência em rentabilidade diante de um ambiente mais fraco de volumes: lucro líquido de R$ 24 milhões (+33% a/a), receita de R$ 2,6 bilhões (-6% a/a) e EBITDA Ajustado de R$ 210 milhões, com margem de 8%. A depreciação do Real amortizou parte da queda de 10% nos volumes físicos, enquanto a comparação anual do EBITDA foi pressionada pela menor diluição de custos (cerca de R$ 90 milhões) e pela base forte do 2T24, quando houve recomposições de preços. A margem do negócio tradicional ficou em 7% e a da MWM em 10%, refletindo o foco em itens de maior valor agregado e contratos de manufatura.

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Por segmento, houve queda em Componentes Estruturais e Contratos de Manufatura com o menor ritmo de caminhões na América do Norte, ao passo que o off-road se beneficiou de recomposição de estoques e demanda por motores maiores. Na Distribuição, o reposição avançou 8% com os lançamentos de Masterparts e Linha Opcional e apoio das exportações, enquanto produtos hidráulicos recuaram 6%. Em Energia & Descarbonização, a receita subiu 2%, com grupos geradores +19% e margens EBITDA já acima de 10%. O COGS manteve-se em R$ 2,3 bilhões, levando a margem bruta a 14%; ajustes de headcount e câmbio contribuíram. As despesas operacionais somaram R$ 250 milhões (+4% a/a) e outras despesas líquidas foram R$ 37 milhões (provisões, reestruturação e baixas).

No financeiro, a despesa líquida caiu para R$ 35 milhões (de R$ 176 milhões no 2T24), com impactos positivos de variação cambial e hedge (R$ 20 milhões). Houve amortizações de R$ 366 milhões no semestre, receita de impostos de R$ 9 milhões pelo efeito cambial no México e geração de caixa operacional de R$ 106 milhões. O capex totalizou R$ 102 milhões, enquanto as atividades de financiamento consumiram R$ 270 milhões por amortização de dívidas e recompra de ações; o caixa encerrou em R$ 1,437 bilhão e a alavancagem ficou em 2,45x. Esse movimento dá continuidade à otimização da estrutura de capital sinalizada com o cancelamento de ações em tesouraria aprovado em julho, que elevou, de forma passiva, a participação da PREVI e reforçou a disciplina na alocação entre amortização e retorno ao acionista.

No plano industrial, a companhia projeta reduzir em ~25% a capacidade instalada em relação ao pós-aquisição de Aveiro e Betim, com efeitos a partir de 2026 e impacto anual estimado de R$ 100 milhões, chegando a R$ 180 milhões em 2027 via menor custo fixo. A gestão indica que as ações de simplificação, produtividade e qualidade devem adicionar ao menos 2 p.p. à margem EBITDA em 2026, o que, se materializado, consolidará a estratégia de elevar o mix e capturar eficiência já visível em Energia & Descarbonização. Para os próximos trimestres, a empresa mantém foco na monetização do capital de giro em 2025, disciplina de capital e crescimento em 2026 via novos contratos de longa duração, em um ambiente ainda marcado por incertezas macro.

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