Em 11 de agosto de 2025, a Azevedo & Travassos Energia (AZTE3) comunicou, nos termos do art. 12 da Resolução CVM 44/21, que a Forseti Investimentos passou a deter 62.213.252 ações ordinárias (18,35% do capital) e a Nemesis Brasil Participações, 78.749.489 ações ordinárias (23,22%). Ambas declararam que as movimentações não objetivam alterar o controle ou a administração. As correspondências foram encaminhadas à CVM e à B3.

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O avanço nas participações dialoga diretamente com o processo de capitalização em andamento: em julho, essas investidoras já haviam sinalizado a intenção de subscrever a totalidade das sobras do aumento de capital. Esse contexto sugere que a nova fotografia acionária decorre, sobretudo, da absorção de sobras e do exercício de direitos de preferência, reforçando a tese de apoio financeiro à execução do plano de expansão, sem propósito de mudança de controle. Ao consolidar uma base de referência mais robusta, a companhia ganha previsibilidade para financiar projetos orgânicos e a integração de ativos recém-incorporados, ao mesmo tempo em que cumpre a exigência de transparência prevista na 44/21.

Estrategicamente, o movimento dá continuidade à expansão iniciada no fim de 2024, quando a empresa firmou um memorando de entendimentos vinculante para aquisição de 100% da Petro-Victory Energy por US$ 151 milhões. A operação ampliou a presença na Bacia Potiguar e transformou a AZTE3 em controladora integral de polos-chave, elevando a necessidade de capital para integração, revitalização e novas campanhas de perfuração. Com investidores relevantes aumentando exposição e reiterando ausência de intento de controle, a administração preserva flexibilidade para acelerar cronogramas operacionais, monetizar reservas de gás, otimizar a malha de produção e capturar sinergias logísticas e de capex, alinhando o desenho de capital ao ciclo de projetos.

Do ponto de vista de mercado, há ainda um incentivo adicional para estabilizar a estrutura societária e sustentar a liquidez: em junho a companhia foi notificada sobre a necessidade de reenquadramento na B3 após negociar abaixo de R$ 1 por mais de 30 pregões. O fortalecimento do “núcleo duro” de acionistas pode reduzir a volatilidade no curto prazo, enquanto a entrega operacional serve de gatilho para reprecificação. Investidores devem acompanhar a evolução do aumento de capital, a dispersão acionária resultante e os próximos marcos operacionais para avaliar a cadência dessa tese.

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