A ISA Energia (ISAE3, ISAE4) anunciou na terça-feira, 5 de agosto de 2025, que obteve do IBAMA a Licença de Instalação para o projeto Serra Dourada, liberando investimentos de R$ 3,157 bilhões. Com a aprovação ambiental, a companhia pode iniciar imediatamente as obras do trecho de 500 kV da linha de transmissão Barra II - Correntina - Arinos 2 e da subestação Correntina.
O Serra Dourada representa o empreendimento do lote 01 do Leilão de Transmissão da ANEEL 01/2023, realizado em junho de 2023. O projeto consiste na implementação de 1.093 km de linhas de transmissão e três novas subestações, além da ampliação de outras três subestações já operacionais no oeste da Bahia. Este marco consolida a execução do plano de investimentos de R$ 8 bilhões até 2028 para projetos já contratados, demonstrando que a empresa mantém sua estratégia de expansão mesmo após os ajustes regulatórios da RBSE.
A iniciativa criará um corredor prioritário para o escoamento de energia renovável proveniente do oeste baiano, viabilizando a conexão de geradoras novas e existentes. O projeto também facilitará a integração de novos projetos de transmissão leiloados pela ANEEL em 2024, fortalecendo a infraestrutura energética nacional. A magnitude dos investimentos requeridos encontra respaldo na robusta estratégia de financiamento da companhia, que captou R$ 580 milhões em debêntures em julho com taxa de 6,7% ao ano, dando continuidade ao modelo de funding que já havia arrecadado R$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre.
A Receita Anual Permitida (RAP) do projeto é de R$ 322 milhões no ciclo 2025-2026, com prazo máximo estipulado pela ANEEL para entrada em operação até março de 2029. O cronograma de quatro anos reflete a complexidade e extensão da obra de transmissão, mas a ISA Energia já demonstrou capacidade de antecipar prazos, como evidenciado pelo projeto Água Vermelha que entrou em operação 16 meses antes do prazo da ANEEL em junho deste ano.
Para investidores, o projeto representa expansão significativa da base de ativos regulados da ISA Energia, com receita garantida por 30 anos. A RAP de R$ 322 milhões do Serra Dourada é particularmente relevante considerando que a empresa enfrentou impactos de R$ 275,1 milhões no segundo trimestre relacionados à reversão do saldo excedente da RBSE, tornando a diversificação da receita regulada ainda mais estratégica. O próximo passo será o acompanhamento do cronograma de obras e possíveis atualizações sobre outros trechos do projeto Serra Dourada ainda pendentes de licenciamento.







