A Construtora Tenda (TEND3) anunciou revisão significativa em suas projeções para 2025, com redução no volume de produção de 3-3,5 mil unidades para 1,5-2,5 mil unidades, representando queda de até 57%. A empresa também ajustou a meta de lançamentos de 4,5-5,5 mil para 4-5 mil unidades, conforme apresentação realizada na fábrica de Jaguariúna. Este recuo contrasta drasticamente com a trajetória de crescimento iniciada no 1T25, quando a empresa registrou lucro recorde de R$ 85,5 milhões, período que estabeleceu as bases para uma série de operações de otimização de capital e sustentou o otimismo do mercado ao longo de 2025.

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O principal impacto veio do gap de aproximadamente 1,5 mil unidades que não foram lançadas no primeiro semestre de 2025, contra as 2 mil inicialmente planejadas. A companhia conseguiu lançar apenas 521 unidades no período, resultado de atrasos na legalização de projetos e necessidade de revisão de produtos em função das características específicas de cada cidade. Este desempenho fica significativamente abaixo das expectativas que haviam sido construídas com base na prévia operacional robusta do 2T25, quando a empresa registrou vendas brutas de R$ 1.186,9 milhões, crescimento de 18,5% que sinalizava continuidade na expansão de lançamentos.

Entre os destaques positivos, a Tenda contratou o projeto de Canoas, com 1.500 unidades e VGV de R$ 300 milhões, considerado o maior projeto de habitação popular com recursos do FAR dos últimos 10 anos no Brasil. Este movimento materializa a assinatura do projeto Casapatio Canoas (RS) confirmada para julho, com exatamente as mesmas especificações de 1.500 unidades e R$ 300 milhões em VGV, demonstrando que, apesar dos desafios operacionais, a empresa conseguiu executar alguns marcos estratégicos importantes. A empresa também avançou na industrialização, implementando estações de chicote elétrico, shaft hidráulico e calafetação de painéis.

O menor volume impactou os custos operacionais, com redução no ritmo de montagem de 4 para 2 casas por dia nas manchas construtivas. A instabilidade operacional gerou aumento de cerca de 20 pontos percentuais no custo por unidade em comparação às manchas estabilizadas, devido a fatores como maior turnover de mão de obra e atraso na verticalização de atividades. Esta deterioração operacional ocorre paradoxalmente em um período em que a empresa havia implementado uma gestão financeira proativa, incluindo as operações de securitização que resultaram na captação de R$ 159 milhões e outras estruturas de funding que proporcionaram solidez para investimentos, mas que agora enfrentam o desafio da execução operacional.

A companhia mantém a expectativa de tornar a operação Alea rentável em 2025 e geradora de caixa em 2026, mas o desempenho do segundo semestre será crucial para o cumprimento das metas revisadas. Investidores devem acompanhar os próximos lançamentos e a evolução da estabilização das manchas construtivas, especialmente considerando que esta revisão representa uma inflexão significativa na narrativa de crescimento que havia sustentado movimentos como a elevação de rating e o interesse institucional observado ao longo do ano.

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