A Copel (CPLE3, CPLE5, CPLE6) teve aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) o reajuste tarifário anual de 2,02% para sua distribuidora. A decisão foi tomada na 21ª Reunião Pública Ordinária da Diretoria da ANEEL, realizada em 17 de junho de 2025, e representa um aumento moderado que entra em vigor a partir de 24 de junho.
O reajuste da elétrica paranaense ficou significativamente abaixo da inflação acumulada pelo IPCA de 5,44% no período de referência, devido principalmente à inclusão de componentes financeiros negativos de 8,81% que reduziram o impacto final. Essa dinâmica reflete a complexidade do modelo tarifário do setor elétrico brasileiro, onde diversos fatores podem compensar a correção inflacionária. A moderação do reajuste consolida a trajetória de equilibrio operacional que se evidenciou no crescimento de 12,4% no EBITDA da distribuidora no primeiro trimestre, quando a Copel registrou R$ 692,9 milhões neste segmento.
A composição do reajuste mostra que a Parcela B (custos operacionais, remuneração e depreciação) contribuiu com 1,27%, enquanto a Parcela A (encargos, transporte e energia) adicionou 4,30%. O destaque negativo foi o aumento de 5,79% nos encargos setoriais, especialmente na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), parcialmente compensado pela redução de 2,46% nos custos de transporte. Este cenário tarifário favorável se alinha com o crescimento consistente de 3,3% no mercado fio registrado no primeiro trimestre, demonstrando a capacidade da companhia de expandir sua base enquanto mantém equilíbrio nos reajustes.
Além do reajuste, a Copel receberá uma devolução de aproximadamente R$ 864,5 milhões referente ao crédito PIS/COFINS relacionado à Lei Federal nº 14.385/2022. Esse montante representa um componente financeiro significativo que beneficiará o fluxo de caixa da companhia no período tarifário, fortalecendo ainda mais a posição financeira que já garantiu a manutenção do rating AAA pela Fitch Ratings, que destacou especificamente o sólido perfil de negócios e a estratégia de diluição de riscos operacionais da empresa.
Para os investidores em ações da Copel, o reajuste moderado pode impactar positivamente a receita da distribuidora, enquanto a devolução do crédito tributário representa um ganho não recorrente relevante. O mercado deve acompanhar como esses fatores se refletirão nos próximos resultados trimestrais da empresa, especialmente considerando a nova Política de Dividendos aprovada em maio, que estabelece distribuição mínima de 75% do lucro líquido e pode ser beneficiada por esse aporte financeiro extraordinário de quase R$ 865 milhões.







