A Oi (OIBR3, OIBR4) está sob pressão da B3 para resolver sua situação de penny stock após as ações permanecerem cotadas abaixo de R$ 1,00 desde 1º de abril de 2025. A bolsa brasileira exigiu que a empresa em recuperação judicial apresente um plano para elevar a cotação até 19 de novembro, sob risco de deslistagem.
Ações cotadas consistentemente abaixo de R$ 1,00 violam as regras de listagem da B3, que considera esse patamar mínimo para manter a negociação regular na bolsa. A situação coloca em risco a permanência da Oi no mercado de capitais brasileiro, o que limitaria drasticamente a liquidez dos papéis.
A deterioração do preço das ações contrasta drasticamente com as oscilações atípicas registradas em abril, quando os papéis chegaram a negociar a R$ 8,60, apresentando valorizações superiores a 20% em alguns pregões. Essa volatilidade extrema, que na época levou a B3 a questionar a empresa sobre possíveis fatos relevantes não divulgados, antecipou a atual crise de valorização dos papéis.
Para resolver a questão, a Oi informou que vai submeter ao Conselho de Administração alternativas para reenquadrar o valor das ações ao patamar exigido pela B3. Entre as opções está um novo processo de grupamento de ações, que seria deliberado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária ainda em 2025.
O grupamento é um mecanismo comum para elevar artificialmente o preço das ações, consolidando várias ações em uma única. Por exemplo, em um grupamento de 10:1, cada 10 ações se tornam 1, multiplicando o preço por 10. A Oi já realizou grupamentos anteriores durante sua trajetória na bolsa.
A situação é paradoxal considerando que a empresa reportou lucro líquido de R$1,65 bilhão no primeiro trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$2,78 bilhões do mesmo período anterior, além de reduzir significativamente sua dívida bruta. Apesar da melhora operacional, a confiança do mercado permanece abalada, refletida na saída de investidores institucionais como a SC Lowy, que reduziu sua participação para apenas 3% do capital social.
Inversamente, o movimento recente do advogado Victor Adler, que adquiriu 15,6599% das ações preferenciais em maio, representa uma das poucas apostas de grande porte na recuperação da operadora. A entrada de Adler ocorreu justamente no período em que os papéis começaram a apresentar a deterioração que culminou na atual situação de penny stock.
Investidores devem acompanhar a convocação da assembleia e a definição da estratégia escolhida pela empresa, já que a não conformidade com as regras da B3 pode resultar na saída compulsória da bolsa. A situação adiciona mais um capítulo ao longo processo de reestruturação da ex-gigante das telecomunicações.







