A Azul (AZUL4) divulgou nesta quarta-feira, 28 de maio de 2025, seu plano de reestruturação financeira através do processo Chapter 11 nos Estados Unidos. A companhia aérea negociou uma reestruturação abrangente com credores, United Airlines, American Airlines e AerCap, com objetivo de eliminar aproximadamente US$ 2 bilhões de dívidas existentes. Esta decisão materializa as especulações sobre Chapter 11 que circularam anteriormente, quando a empresa reconheceu estar avaliando alternativas para fortalecer sua estrutura de capital diante de uma dívida estimada em R$ 35 bilhões.

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Segundo o material para discussão apresentado pela empresa, a Azul irá levantar US$ 1,6 bilhão em financiamento DIP (Debtor-in-Possession), dos quais aproximadamente US$ 670 milhões reforçarão a liquidez da companhia. A empresa também prevê até US$ 950 milhões em novos aportes de capital no momento da saída do processo de reestruturação. O processo está sendo supervisionado por um comitê especial independente criado especificamente para auxiliar na condução geral do procedimento de reorganização.

O novo plano de negócios da Azul foca em uma otimização significativa da frota, com redução superior a 35% no número de aeronaves. Esta estratégia visa melhorar a resiliência da empresa e reduzir o risco geral, exposição cambial e alavancagem financeira.

A reestruturação resultará em uma companhia aérea desalavancada, com redução significativa nas despesas de juros. A alavancagem líquida da empresa cairá de 5,1x para 3,0x após a emergência do processo, chegando a 1,7x em 2027, conforme projeções apresentadas. Este movimento ocorre em um contexto desafiador que inclui o rebaixamento de rating pela Fitch de "CCC" para "CCC-" e pressões financeiras acumuladas.

Entre as principais economias esperadas, a Azul projeta redução de US$ 2,038 bilhões nominais ao longo da vida útil apenas em obrigações de arrendamento da frota atual. A contribuição acumulada de arrendadores e fabricantes de equipamentos (OEMs) de 2025-2029 é estimada em aproximadamente US$ 1,4 bilhão.

O plano revisado da empresa prevê crescimento mais moderado, com CAGR de receita de 7,6% no período 2025-2029, comparado aos 11,9% do plano anterior. O EBITDAR projetado registra CAGR de 10,5% no mesmo período. Estes números contrastam com os resultados do primeiro trimestre, quando a empresa registrou EBITDA de R$ 1,385 bilhão e receita recorde de R$ 5,4 bilhões.

A Azul destacou que transportou 118,3 milhões de passageiros no Brasil em 2024, marcando o segundo melhor resultado da história da companhia. A empresa opera mais de 300 rotas diretas e atende 160 destinos locais, mantendo liderança em 91% das rotas onde atua. O processo de reestruturação ocorre após tentativas anteriores de fortalecimento financeiro, incluindo a captação de R$ 1,66 bilhão em oferta pública de ações e outras iniciativas de otimização da estrutura de capital.

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