ENGIE Brasil (EGIE3) adquire hidrelétricas por R$ 2,95 bilhões
Companhia fecha acordo para compra de usinas no Amapá e Pará, reforçando seu portfólio de energia renovável

A ENGIE Brasil (EGIE3) anunciou nesta sexta-feira, 21 de março de 2025, a assinatura de um contrato para a aquisição da totalidade das ações de emissão da Companhia Energética do Jari (CEJA) e da Empresa de Energia Cachoeira Caldeirão S.A. O valor total da transação é estimado em R$ 2,95 bilhões.
Segundo o fato relevante divulgado pela companhia, a operação contempla um valor de R$ 2,28 bilhões em equity value e R$ 671,5 milhões de dívida líquida. Os valores envolvidos poderão ser modificados conforme condições estabelecidas no contrato (earn-out) e estarão sujeitos a ajustes até a data do fechamento da operação.
A aquisição engloba a Usina Hidrelétrica Santo Antônio do Jari, localizada no Rio Jari, entre os estados do Amapá e Pará, com 393 MW de capacidade instalada e 211 MW médios de capacidade comercial. A concessão da usina, que iniciou operações em 2014, vai até outubro de 2045.
O pacote inclui também a Usina Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, situada no Rio Araguari, no município de Ferreira Gomes (Amapá), com capacidade instalada de 219 MW e capacidade comercial de 123 MW médios. Esta usina começou a operar em 2016 e tem concessão até agosto de 2048.
Energia 100% contratada no mercado regulado
Um aspecto relevante da aquisição é que toda a energia gerada pelos ativos já está contratada no mercado regulado (ACR). A UHE Santo Antônio do Jari possui 190 MW médios contratados no 11º leilão de Energia Nova em 2010 ao preço de R$ 230,42/MWh e 20,9 MW médios no 15º leilão de Energia Nova em 2012 ao preço de R$ 161,43/MWh, ambos com base de outubro de 2024.
Já a UHE Cachoeira Caldeirão tem 130 MW médios contratados no 15º leilão de Energia Nova em 2012 ao preço de R$ 187,63/MWh (base outubro/2024).
Eduardo Takamori, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da ENGIE Brasil, afirmou que "a operação criará valor aos acionistas ao nos permitir alocar capital em ativos já operacionais e com receitas seguras e de longo prazo, com bom equilíbrio entre riscos e retornos". A transação ocorre após a empresa captar R$ 2 bilhões em debêntures recentemente.
O Diretor-Presidente da ENGIE Brasil Energia, Eduardo Sattamini, destacou que a aquisição está alinhada ao foco estratégico de fortalecimento da posição da empresa no setor elétrico, "aumentando o peso das hidrelétricas em nosso parque gerador e alongando o prazo médio de concessões com capacidade totalmente contratada a longo prazo no mercado regulado". Esta estratégia dá continuidade ao plano de expansão da companhia, que registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,37 bilhões em 2024.
A operação, aprovada pelo Conselho de Administração da companhia em 21 de março de 2025, ainda está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), além de outras condições precedentes estabelecidas no contrato.
A empresa informou que a transação deverá ser submetida à Assembleia Geral especialmente convocada para conhecer da operação, conforme o artigo 256 da Lei das S.A. Eventual direito de recesso terá como referência de base acionária a data de divulgação do fato relevante.
EGIE3: cotação e indicadoresENGIE Brasil
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