Nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, a Vale (VALE3) reportou produção e vendas do 4T25 e de 2025, afirmando ter superado os guidances definidos no início do ano. Em 2025, entregou 336 Mt de minério de ferro, 382,4 kt de cobre e 177,2 kt de níquel, apoiada por ramp-ups e estabilidade operacional. No 4T25, produziu 90,4 Mt de finos (+6,0% a/a), 8,3 Mt de pelotas (-9,2% a/a), 108,1 kt de cobre (+6,2% a/a) e 46,2 kt de níquel (+1,5% a/a); as vendas de finos somaram 84,9 Mt (+4,5% a/a). O S11D fechou 2025 com recorde de 86,0 Mt; o preço médio realizado foi de US$ 95,4/t para finos e US$ 131,4/t para pelotas. O prêmio all-in caiu para US$ 0,9/t, enquanto a empresa priorizou produtos de teor médio (Mid-grade Carajás), blendados (BRBF) e concentrados na China (PFC) para maximizar margem — um desempenho em linha com a atualização de projeções de 2/12/2025, que ancorou ~335 Mt em 2025 e detalhou a monetização por qualidade.
Nos ferrosos, a maior disponibilidade de ROM em Brucutu e os ramp-ups de Capanema e VGR1 sustentaram o trimestre: o Sistema Norte produziu 44,8 Mt, o Sudeste 23,9 Mt e o Sul 13,5 Mt. Em cobre, o 4T25 foi o mais forte desde 2018, com 62,9 kt em Salobo (recorde histórico), 18,6 kt em Sossego e 26,7 kt no Canadá, beneficiado pela disponibilidade do moinho Clarabelle e avanço em Voisey’s Bay. Em níquel, destaque para 10,0 kt em Onça Puma (2º forno em plena capacidade desde novembro), além de Sudbury (8,2 kt), Voisey’s Bay (7,4 kt) e Thompson (1,4 kt). Esse conjunto consolida a execução e os ramp-ups apontados no Vale Day 2025, que destacou Capanema, Vargem Grande, Onça Puma e o caminho para ~360 Mt em 2030 e maior cobre até 2035.
No front comercial, o foco em teores médios e em plataformas de blendagem sustenta a estratégia de capturar margem por especificação, mesmo com menor contribuição de produtos de baixo alumínio pesando sobre o prêmio all-in. Em cobre, o preço médio realizado de US$ 11.003/t refletiu LME mais alta, menores descontos TC/RC e ajustes finais; em níquel, as vendas de 49,6 kt superaram a produção em 3,4 kt por redução planejada de estoques, suportando a conversão de caixa. Para 2026, a companhia guiou 335–345 Mt em finos, 30–34 Mt em aglomerados, 350–380 kt em cobre e 175–200 kt em níquel, com Capanema atingindo capacidade total no 2T26 — sinal de continuidade operacional e disciplina de capital.
Vale notar que os números chegam após eventos climáticos e medidas municipais em Minas Gerais. Na véspera, a companhia suspendeu preventivamente as operações em Fábrica e Viga por determinação local, mantendo a estabilidade das barragens, intensificando o monitoramento e reiterando que os guidances permaneciam inalterados — um rito de resposta que visa isolar impactos e preservar o plano, como detalhado na suspensão localizada em Fábrica e Viga com manutenção do guidance. Esse tratamento consistente de eventos operacionais ajuda a preservar a previsibilidade do plano e dá contexto para os novos guidances de 2026.
Para o investidor, a combinação de volumes acima do guidance, qualidade comercial e visibilidade de manutenção/capex sustenta a leitura de geração de caixa e reduz ruído informacional à frente da temporada de resultados. A manutenção de critérios formais na divulgação de projeções e a separação entre metas aspiracionais e guidances oficiais reforçam a ancoragem das expectativas no que é efetivamente comprometido pela administração, em linha com a distinção entre ambição e guidance reafirmada à CVM.







