A Energisa encerrou dezembro de 2025 com consumo consolidado de 3.698 GWh, alta de 3,1% ante dezembro de 2024, e crescimento de 2,2% no 4T25. O desempenho foi puxado por 7 das 9 distribuidoras, com destaque para EMT (+8,8%), ETO (+4,1%) e EPB (+4,0%). Por classe, residencial (+4,2%), rural (+8,5%) e industrial (+2,5%) mais do que compensaram a menor tração do comercial (+1,5%). O boletim credita o avanço a um calendário de leitura 0,3 dia maior, clima mais quente sobretudo em Mato Grosso e Tocantins e novas cargas. Importante: a energia compensada de MMGD (GD II/III) elevou a base comparável; sem essa compensação, o mercado teria caído 1,6% no trimestre e 2,1% no ano. As perdas em 12 meses ficaram estáveis em 12,25% (4T25) no consolidado, com heterogeneidade por concessão.
Este avanço consolida a retomada de volumes relatada em novembro, com residencial aquecido e compensação de GD em forte expansão, sinalizando que o 4T25 combinou demanda climática favorável, crescimento da base e ganho de previsibilidade operacional. O recorte por classe em dezembro confirma a tração de residenciais e a resiliência industrial ligada à cadeia de alimentos (com EMT, ESE e EAC como destaques), enquanto o comercial foi influenciado por EPB e ERO. Ao mesmo tempo, o efeito GD segue relevante: amplia a pressão sobre o cativo e reforça o papel da TUSD no mix, tendência que a própria companhia vem enfatizando. Na granularidade regulatória-operacional, a estabilidade das perdas no consolidado e a disciplina por praça preservam o caminho para converter volumes em caixa, mesmo com dispersão entre concessões e diferenças de limites regulatórios.
Em termos estratégicos, a fotografia de dezembro se encaixa numa mudança estrutural do portfólio de receitas: maior peso da TUSD associada ao mercado livre e cativo pressionado pelo avanço da geração distribuída, dinâmica já explicitada na mudança estrutural do mix com TUSD em alta e cativo pressionado pela GD, destacada no boletim de outubro. Isso ajuda a entender por que, apesar do crescimento de 1,4% em 2025 (1,2% incluindo receita não faturada), o contrafactual sem GD mostraria retração: a empresa vem migrando a sensibilidade do resultado do volume faturado no cativo para uma base mais contratada e previsível. Nesse contexto, o desempenho acima da média em EMT, ETO e EPB reforça a lógica de priorização de CAPEX, combate a perdas e calibragem tarifária por praça, enquanto o Norte e o Centro-Oeste respondem mais ao calor e à dinâmica de agro e alimentos, e concessões como ERO e EAC ajustam gradualmente performance e perdas dentro de seus limites regulatórios.
No eixo corporativo, o protagonismo de EMT no trimestre não é acidental: ele dialoga diretamente com a aprovação da reorganização que concentrou a EMT na Rede Energia e simplificou a cadeia societária. Ao alinhar controle, resultado e governança num único nível, a companhia acelera o fluxo de dividendos, ganha agilidade decisória e melhora a alocação de capital para iniciativas que sustentam o crescimento regulado (rede, redução de perdas, novas ligações e qualidade de serviço) nas concessões que mais tracionam volumes. Em suma, os dados preliminares de dezembro ilustram a continuidade da estratégia: volumes normalizados, mix mais previsível e governança simplificada para capturar rapidamente ganhos operacionais — com o detalhamento adicional a ser apresentado no Release de Resultados do trimestre.







