Ao publicar o Guia de Modelagem 3T25, a Auren organiza em um único material a fotografia do portfólio e as premissas de geração e preços até 2030, oferecendo previsibilidade sobre a combinação de 8.098 MW de capacidade instalada e 3.776 MWm de garantia física. O documento detalha o mix de 54% hídrico, 36% eólico e 10% solar, explicita a estrutura de cálculo do EBITDA Ajustado e projeta volumes e preços para ACR e ACL (por exemplo, preço médio de venda de R$ 196/MWh em 2025 e R$ 218/MWh em 2030), além de situar a expansão orgânica com 112,1 MW em construção no complexo eólico Cajuína 3, com COD estimado para dezembro de 2026.
Este movimento consolida a prática de transparência e disciplina que a companhia vinha sinalizando em sua gestão de risco e de capital, especialmente após um 3T25 mais pressionado por hidrologia e restrições de escoamento. A divulgação de premissas operacionais (P50/P90 para eólica/solar sem curtailment, perdas na rede básica e exposição ao GSF) dialoga com a prudência apresentada na disciplina de capital reafirmada no 2º programa de recompra aprovado em novembro de 2025, quando a administração condicionou alocações mais amplas à estabilização operacional e à clareza sobre fluxos regulatórios.
Do ponto de vista operacional, o guia explicita que a Auren segue com exposição ao GSF até 2028 (1.797 MWm), refletindo a repactuação do risco hidrológico (230 MW no ACR para UHE Porto Primavera), enquanto reforça a baixa exposição a spreads entre submercados e o papel tático da modulação (com receita de R$ 17,0 mi no 3T24 evoluindo para R$ 65,6 mi no 3T25). Essa calibragem de risco é coerente com a experiência recente de volatilidade: ao incorporar a resiliência do portfólio híbrido (hídrico-eólico-solar) e a política de contratação — 1.084 MWm no ACR com preço médio líquido de R$ 274,8/MWh e 3.241 MWm no ACL — a empresa ancora o guidance de preços e volumes em fundamentos verificáveis e em contratos de longo prazo.
Estratégicamente, o material também oferece um pano de fundo para decisões de balanço ao longo do ciclo: o detalhamento de premissas e a granularidade de PPAs permitem conectar resultados futuros a eventos regulatórios e societários relevantes, como potenciais indenizações por bens reversíveis e iniciativas de fortalecimento de caixa citadas anteriormente. Em síntese, o Guia de Modelagem funciona como a “ponte” entre a realidade operacional recente — marcada por GSF e curtailment — e o plano de geração de valor até 2030, tornando mais rastreável a relação entre alavancas (mix, contratação, modulação e expansão) e a trajetória de EBITDA.
Ao consolidar balanço energético trimestral, métricas de modulação e pressupostos de disponibilidade eólica/solar, a Auren aumenta a previsibilidade para investidores e reforça a coerência entre suas projeções e a execução: volumes próprios líquidos de 3.545 MWm em 2025, compras para revenda de 1.028 MWm e recursos totais de 4.573 MWm, com preço médio de compra previsto caindo de R$ 185/MWh (2025) para R$ 177/MWh (2030). O resultado é um arcabouço que conecta premissas a contratos, e contratos a resultados, deixando claro onde estão as principais sensibilidades — hidrologia, disponibilidade e preço — e como a companhia pretende capturá-las ou mitigá-las ao longo do período.







