Nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, o GPA (PCAR3) informou ter recebido de Rafael Ferri e Hugo Shoiti Fujisawa, detentores conjuntos de 3,2156% do capital, pedido de convocação de assembleia geral para deliberar a eleição de todo o Conselho de Administração, após duas renúncias, e a exclusão do Capítulo X do estatuto social. O pleito cita que o Conselho foi eleito em 6/10/2025 pelo procedimento de voto múltiplo e, diante das vacâncias, a eleição passaria a ocorrer nos termos do art. 141, §3º, da Lei das S.A., com pedido de adoção do voto múltiplo (art. 141, caput). Os acionistas indicaram Daniel Vinicius Alberini Schrickte e Gustavo Viana Volpato para constar no boletim de voto à distância. A companhia informou que o Conselho analisará os requisitos legais no prazo aplicável.
Na prática, o pleito aprofunda o ativismo minoritário visto em 2025, quando se desenhou a formação de um bloco relevante e a disputa por representação no colegiado — movimento evidenciado pelo acréscimo da Bonsucex para 5,567% e fortalecimento do bloco minoritário em novembro. Desde então, o Conselho eleito em 6/10 pelo voto múltiplo passou a operar com maior escrutínio e, com duas renúncias subsequentes, abriu-se espaço para reavaliar a composição e o desenho de poderes. Ao recolocar o voto múltiplo na mesa e pré-indicar nomes, os requerentes buscam acelerar um rearranjo que privilegie transparência, alinhamento de incentivos e previsibilidade das decisões estratégicas, reforçando o papel fiscalizador do colegiado frente às prioridades de 2026.
A proposta de excluir o Capítulo X do estatuto é apresentada como alavanca para “gerar maior atratividade” e “melhorar a governança”, e dialoga com a consolidação de uma base acionária mais ativa após o avanço da Bonsucex e Silvio Tini a 10,314% do capital em 30/12. Em estruturas com fiscalização mais distribuída, a exigência por cadência de reporte, coerência entre alocação de capital e execução operacional, e métricas de ROIC tende a aumentar. Um redesenho estatutário que reduza ruídos e simplifique regras pode destravar múltiplos ao reforçar accountability, sobretudo quando o colegiado é renovado de forma coordenada e com critérios técnicos, dando continuidade a uma narrativa de governança que busca diminuir incertezas e ampliar a atratividade das ações.
Além disso, o gatilho formal para a nova eleição decorre de vacâncias recentes no topo da governança. No 4T25, houve a renúncia do vice-presidente do Conselho e recomposição da coordenação do Comitê Financeiro, sinalizando a necessidade de manter quórum técnico e fluxo decisório em temas sensíveis como provisões, políticas contábeis e disciplina de capital. Ao propor novamente o voto múltiplo e indicar candidatos no boletim de voto à distância, Ferri e Fujisawa aceleram a convergência para um Board mais aderente às prioridades de 2026, com foco em supervisão independente, melhor balanço entre perfis operacionais e financeiros e fortalecimento das instâncias de controle, sem perder o ritmo da execução operacional.
Em paralelo, a agenda executiva também foi ajustada, com a eleição de Alexandre Santoro como CEO e a separação entre liderança executiva e finanças na véspera deste pedido. Esse arranjo reforça a linha de comando e a prestação de contas ao Conselho, criando terreno fértil para que uma eventual recomposição do colegiado amplifique a capacidade de acompanhar métricas, gerir riscos e comunicar o plano de eficiência com previsibilidade. Caso a assembleia seja convocada e aprove as mudanças, o movimento tende a consolidar uma virada de governança que conecta ativismo responsável, clareza estatutária e execução disciplinada — pilares essenciais para reduzir ruído informacional e capturar valor no curto e no médio prazos.







