Na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, a Copel informou, em atendimento à Resolução CVM 44/2021 (alterada pela 60/2022), que a GQG Partners alienou parte de sua posição e passou a deter 70.577.424 ações ordinárias, equivalentes a 2,37% do capital ON. A gestora declarou tratar-se de investimento minoritário, sem intenção de alterar o controle ou a estrutura administrativa, e indicou possuir poderes de voto em nome de alguns clientes. Para fins do art. 119 da Lei 6.404, a representante no Brasil é a Citibank DTVM. A carta foi datada de 30/12/2025 e o comunicado da companhia, assinado em 05/01/2026.
O comunicado da GQG se soma a um padrão recente de realocação por investidores institucionais, como o ajuste de participação da SPX comunicado em 24/12/2025. Em ambos os casos, as gestoras descrevem movimentos táticos de carteira e o uso de instrumentos como ADRs, empréstimos de ações e derivativos com liquidação financeira para calibrar exposição econômica, sem objetivo de influenciar o controle. Esse comportamento é típico de janelas em que o free float se reordena e a liquidez aumenta após marcos societários relevantes, quando gestores reprecificam risco à luz de custo de carrego, calendário de proventos e rebalanceamentos de índice de fim de ano.
Além de reforçar a transparência exigida pela CVM 44/60, os avisos refletem a nova dinâmica da base acionária da Copel. A simplificação do capital e a negociação exclusivamente em ações ordinárias aumentaram a previsibilidade de processos de votação, facilitaram operações de hedge entre ON e ADRs e reduziram fricções operacionais. Esse arranjo tende a combinar uma base de longo prazo mais estável com maior rotatividade tática de curto prazo por parte de institucionais, sem que isso, por si só, indique mudança de controle. Em síntese, tais movimentos ocorrem no rastro da migração para o Novo Mercado concluída em 22/12.
Para o investidor, a leitura estratégica é que maior liquidez e governança robusta ajudam a reduzir custo de capital e a dar previsibilidade ao book, sustentando a execução do ciclo industrial enquanto a companhia mantém disciplina financeira e de remuneração. No campo operacional, a Copel já delineou um ciclo de modernização de redes, automação e reforços em transmissão e geração, em que estabilidade societária e acesso a mercados são peças-chave de viabilidade econômica e captura de valor regulatório. Esse direcionamento foi explicitado no programa de investimentos 2026–2030 de R$ 17,8 bilhões, cuja execução tende a ser beneficiada por uma base 100% ON e por mecanismos de disclosure que ampliam a visibilidade sobre posições relevantes.







