Em 5 de janeiro de 2026, o Banrisul informou que exercerá, em 28 de janeiro de 2026, a opção de resgate da totalidade de suas Notas Subordinadas Nível II, emitidas em 28 de janeiro de 2021, no montante de US$ 300 milhões. Os títulos, com cupom de 5,375% ao ano e vencimento originalmente em 28 de janeiro de 2031 (ISINs USP12445AC98 e US05965BAB36), serão liquidados na Data de Resgate prevista no instrumento. Com base em 30/09/2025, o banco estima impacto de 2,2 p.p. no índice de capitalização Nível II. A decisão sinaliza gestão ativa do mix de capital regulatório e simplificação do passivo, em linha com o arcabouço da Lei 6.404/1976 e Resoluções CVM 80/2022 e 44/2021. Este movimento consolida a estratégia de reequilíbrio de capital iniciada com a emissão doméstica de subordinados, como a emissão de R$ 850 milhões em letras financeiras subordinadas (Nível II) em dezembro de 2025.

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Na prática, o resgate ocorre na primeira data elegível de call dos papéis de 2021 e é viabilizado pela folga acumulada no pilar Nível II ao longo do segundo semestre de 2025. Ao reforçar a camada subordinada local e elevar a Basileia, o banco criou espaço para substituir instrumentos, otimizar custo regulatório e, potencialmente, reduzir a exposição cambial estrutural do passivo. Esse desenho dá continuidade ao reforço prudencial capturado no resultado do 3T25, com Basileia de 17,9% e reforço Nível II via letras subordinadas, quando o Banrisul já havia concluído captações relevantes e mantinha a diretriz de operar com pelo menos 400 bps acima do mínimo regulatório. Assim, o impacto de 2,2 p.p. projetado no Nível II deve ser lido no contexto de um colchão mais amplo e de uma gestão que dosa crescimento de crédito, custo de funding e robustez regulatória para atravessar 2026 com flexibilidade.

Do ponto de vista de alocação de capital, a troca de um instrumento em dólar por funding subordinado doméstico tende a suavizar a sensibilidade a ciclos e a favorecer previsibilidade de resultados. Esse arranjo também conversa com a política de remuneração que o banco consolidou no fim de 2025, como o JCP complementar do 4T25, ancorado em folga de capital e reforço Nível II. Em outras palavras, o resgate das notas de 2021 não sinaliza retração, mas a continuidade de uma engenharia de capital que preserva a solvência, sustenta originação seletiva e mantém espaço para um payout condicionado à qualidade de risco e à recorrência de receitas em 2026.

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