A Fitch Ratings revisou a nota de crédito global da Braskem para CC, patamar que reflete estresse elevado de crédito. Em resposta, a companhia reiterou foco em iniciativas de resiliência e transformação para mitigar os impactos do prolongado ciclo de baixa na petroquímica. Esse movimento dialoga com a fotografia recente da empresa: a fotografia do 3T25 com spreads comprimidos e saque da linha stand-by de US$ 1 bi já indicava pressão de margens, reforço de liquidez e execução do Programa de Resiliência, sinalizando uma travessia com disciplina de caixa e priorização de eficiência enquanto o ciclo global não normaliza.

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Do lado operacional, a Braskem vem reduzindo a volatilidade de insumos e preparando a transformação no Rio de Janeiro por meio da assinatura de contratos de longo prazo com a Petrobras para nafta, gases e propeno a partir de 2026. Ao ancorar preços em benchmarks internacionais (ARA, Henry Hub, Mont Belvieu), firmar volumes mínimos e alongar prazos (11 anos no gás e 5 anos na nafta), a companhia aumenta a previsibilidade de margens, balanceia a matriz entre gás e líquidos e cria lastro para o ramp-up de competitividade, movimento coerente com a narrativa de resiliência destacada hoje.

No vetor financeiro, parte da pressão que embasa a ação de rating decorre de frentes específicas, como o México: a decisão de não pagar juros em Braskem Idesa (nov/25) e a negociação com bondholders para um reprofiling preservaram liquidez e reforçaram a estratégia de tratar riscos por geografia, mantendo as operações enquanto se busca uma estrutura sustentável para a subsidiária. Ao mesmo tempo, a normalização do suprimento de etano via TQPM e o foco em continuidade operacional ajudam a dar tração a uma solução ordenada, compatibilizando cronogramas financeiros com a geração de caixa local.

Há, ainda, uma camada regulatória que pode amortecer a trajetória de recuperação: a instituição do PRESIQ (2027–2031) e a manutenção do REIQ em 2026 adicionam previsibilidade tributária na janela de execução de projetos e modernizações, especialmente na migração parcial para gás no RJ. Em conjunto com os contratos de suprimento e o rigor na gestão de caixa, esses vetores compõem a resposta estruturante da Braskem ao downcycle. Em síntese, o rebaixamento para CC evidencia o estresse do momento, enquanto a companhia mantém a agenda de resiliência e transformação para reancorar competitividade e encurtar a distância até a virada operacional.

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