Na segunda-feira, 29 de dezembro de 2025, a Tupy (TUPY3) informou que o Conselho de Administração aprovou a convocação de uma AGE para deliberar sobre: (i) reforma do Estatuto Social, a pedido do Charles River FIA; e (ii) eleição de membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, a pedido da BNDESPar. O Conselho estabeleceu até 15 dias para a divulgação do edital. O CPCG avaliará a elegibilidade e a independência do candidato José Mucio Monteiro Filho e dos 8 conselheiros atuais segundo a Política de Indicação, o Regulamento do Novo Mercado e o Estatuto. Também irá à AGE proposta para manter os atuais conselheiros (eleitos para 2025–2027), ainda que haja eleição de todo o colegiado, e segue para análise a revisão da Política de Indicação e a retificação da distribuição dos honorários, limitando o gasto total ao patamar atual para não onerar a companhia. A reforma estatutária sugerida pelo Charles River inclui requisitos de elegibilidade e vedações (como afastamento de ocupantes de cargos políticos nos últimos 5 anos) e critérios mínimos para a Diretoria Estatutária.

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Este chamado para AGE é a sequência natural do redesenho do topo da governança e do pedido de AGE pela BNDESPar, com renúncias e a perspectiva de renovação integral do CA. Como a última eleição ocorreu por voto múltiplo, a próxima assembleia deve recompor todo o colegiado, abrindo espaço para calibrar perfis, comitês e prioridades estratégicas. Ao submeter ao CPCG a checagem de independência e aderência de todos os conselheiros, a companhia sinaliza alinhamento às melhores práticas do Novo Mercado e busca reduzir risco de contestações na assembleia. A indicação de manter o board atual, mesmo com eleição de todo o colegiado, preserva a continuidade dos projetos estratégicos e da agenda operacional enquanto os acionistas deliberam sobre a composição e as novas regras estatutárias.

Esse movimento consolida a trajetória de simplificação organizacional e foco em execução iniciada ao longo de 2025, em especial o redesenho da governança executiva de 15/dez/25, com a criação da vice-presidência de Componentes Estruturais e a integração de Comercial, Operações e Engenharia. Ao propor requisitos de elegibilidade, vedações claras e experiência mínima para a Diretoria, a reforma estatutária amarra governança e operação: reduz incertezas sobre perfis, acelera decisões e fortalece accountability. O pedido do conselheiro Mauro Rodrigues da Cunha para limitar o gasto total com honorários — mantendo o envelope e diluindo individualmente em caso de aumento de cadeiras — reforça a disciplina de custos em um cenário de margens pressionadas, enquanto a verificação de independência aumenta a credibilidade do processo eleitoral e a confiança de investidores e credores.

Do lado acionário, a atuação do Charles River como proponente de mudanças em governança é coerente com sua participação relevante de 05/nov/25 (4,90% do capital), quando a gestora sinalizou foco de investimento de longo prazo. Na prática, a reforma estatutária proposta — com critérios objetivos de desimpedimento e restrições a vínculos político-partidários — tende a reduzir riscos reputacionais, trazer previsibilidade à sucessão e reforçar a independência do Conselho. Em conjunto com a recomposição do colegiado pela AGE, a Tupy busca ancorar a execução de 2026/2027 em uma base de governança mais robusta, coerente com a agenda de eficiência, priorização de capex e fortalecimento de mix, preservando continuidade e transparência no relacionamento com o mercado.

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