Em 15 de dezembro de 2025, a Tupy (TUPY3) redesenhou sua governança executiva ao criar a Vice-Presidência da Unidade de Negócio de Componentes Estruturais e nomear Ricardo Sendim Fioramonte para o cargo. As Vice-Presidências estatutárias Comercial e de Operações foram extintas; a Operações permanece sob Luciano Boiko, que passa a se reportar diretamente a Fioramonte. As demais posições estatutárias seguem inalteradas, enquanto as Unidades de Negócio de Contratos de Manufatura, Distribuição e Energia & Descarbonização mantêm lideranças próprias com reporte direto ao Diretor-Presidente, Rafael Lucchesi. Segundo a companhia, integrar Comercial, Operações e Engenharia sob uma liderança única trará mais agilidade e eficiência ao core. Fioramonte também absorverá as atribuições antes atribuídas à Vice-Presidência Comercial. O comunicado é assinado por Gueitiro Matsuo Genso, Vice-Presidente de Novos Negócios e Inovação e Diretor de RI.
Este movimento consolida a agenda de simplificação e eficiência de 2025, já sinalizada pela extinção da Vice-Presidência Estatutária de Relações Institucionais e Sustentabilidade (28/nov/25). Ao migrar funções para uma estrutura corporativa mais enxuta e alinhar a tomada de decisão diretamente ao topo, a companhia vem reduzindo camadas, encurtando o ciclo decisório e concentrando patrocínio executivo no que é essencial para o resultado. A integração do front comercial com a execução industrial e a engenharia, agora no principal negócio, tende a reduzir atritos entre áreas, acelerar programação de produção, melhorar o sequenciamento de pedidos e dar mais previsibilidade ao giro de capital. Em um ambiente de margens pressionadas, a responsabilidade ponta a ponta por volume, mix, custo e entrega torna a cadeia mais responsiva às oscilações de demanda e ao perfil de contratos.
Operacionalmente, a reorganização hierárquica dialoga com os desafios e metas já comunicados no resultado do 3T25, com reorganização industrial pós-aquisições e metas de eficiência a partir de 2026. Naquele trimestre, a Tupy reportou queda de volumes, pressão cambial e um plano de readequação fabril (incluindo ajustes em Aveiro e Betim) para capturar ganhos recorrentes de custos e produtividade a partir de 2026/2027. Ao unir Comercial, Operações e Engenharia sob a Unidade de Componentes Estruturais, a empresa cria o elo organizacional para transformar o pipeline comercial e as decisões de mix em eficiência concreta no chão de fábrica, com melhor alocação de capex, menor CPV por unidade e maior disciplina no uso de estoques. O desenho preserva, ainda, a autonomia de vetores de crescimento de ciclo mais longo (como Energia & Descarbonização), que seguem reportando ao CEO e equilibram a volatilidade do negócio tradicional.
Pelo prisma de risco e crédito, a simplificação também se alinha aos vetores de mitigação ressaltados no rebaixamento da Fitch de 13/nov/25, que destacou disciplina operacional, redução de custos e foco de capex. Centralizar o core em uma vice-presidência única tende a aumentar a previsibilidade de execução, facilitar a captura das sinergias de portfólio e fortalecer margens em contratos de maior recorrência — aspectos valorizados por credores e investidores em ciclos mais brandos. Em síntese, a mudança de hoje é um capítulo organizacional que viabiliza a entrega das eficiências prometidas, sustenta a virada de mix e prepara a Tupy para capturar os ganhos operacionais esperados a partir de 2026, com governança mais ágil e accountability clara sobre volume, preço, custo e prazo.







