Na quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, a AXIA Energia (ex-Eletrobras; AXIA3, AXIA5, AXIA6) informou ter recebido comunicado do GIC Private Limited (GIC) sobre a alienação de ações ordinárias no mercado, passando a deter 98.533.211 ON, equivalentes a 4,86% do total dessa classe. O investidor declarou não participar de acordos de voto e que sua posição tem caráter exclusivamente de investimento, sem intenção de alterar o controle ou a estrutura da companhia. O comunicado é assinado por Eduardo Haiama, vice-presidente financeiro e de relações com investidores.
Essa atualização da base acionária reforça a trajetória de capital pulverizado e governança com “one share, one vote”. O recuo para patamar inferior a 5% ocorre em um ambiente institucional recentemente pacificado pela homologação do STF em 11/12 que extinguiu a ADI 7.385 e consolidou o arranjo de ‘one share, one vote’. Ao reduzir incertezas jurídicas sobre direitos políticos e confirmar limites e previsibilidade de voto, o novo arcabouço tende a comprimir prêmios de risco, favorecendo decisões de funding e o alinhamento de interesses entre investidores financeiros e a administração. Nessa moldura, a comunicação do GIC, ao explicitar a ausência de acordos e a natureza passiva do investimento, conversa com o desenho de dispersão acionária buscado no pós-privatização e com a dinâmica de livre circulação das ações ON.
Do lado societário, a companhia vem estruturando uma ponte de transição que equaliza direitos econômicos e políticos, com mecanismos anti-concentração. Esse passo ganhou forma na capitalização de R$ 30 bilhões com emissão de PNC e cronograma de conversão mandatória até 2031, que inclui limites para evitar concentração acima de 15% do capital votante e dispositivos de resgate do excedente. Embora a posição do GIC esteja bem abaixo desse teto, a sinalização de investimento passivo reforça a lógica de base dispersa e a capacidade de atrair capital de longo prazo sem tensionar o controle. Em paralelo, a agenda segue orientada à unificação acionária e ao padrão de mais alta governança, como no reinício dos estudos para migração ao Novo Mercado, em que a companhia busca convergência a uma única classe de ações e maior proteção a minoritários, alinhando a presença de investidores globais a um estatuto mais simples e previsível.







