No B3 Day 2025, a B3 apresentou uma visão que reforça o equilíbrio entre receitas pró-cíclicas (Renda Variável e Derivativos Listados) e recorrentes (Renda Fixa & Crédito, Empréstimo de Ativos, Soluções para Mercado de Capitais, Soluções Analíticas de Dados e Tecnologia e Plataformas). Entre 2015 e 2025 LTM, ambas crescem a um CAGR de 11%, passando, respectivamente, de R$ 1,9 bi para R$ 5,4 bi e de R$ 1,9 bi para R$ 5,5 bi. O ADTV consolidado está em R$ 24,6 bi. Na base de pessoa física, 2019 vs. YTD25 mostra menor engajamento (50% para 30%) e queda do ADTV por CPF (R$ 6,1 mil para R$ 1,8 mil), apesar da expansão de CPFs (1,1 mi para 5,4 mi) e do aumento de assessores (10 mil para 27 mil) sob Selic mais alta. A B3 também apontou sensitividades de ADTV por tipo de investidor e o potencial de reequilíbrio dos fluxos estrangeiros em um novo ciclo, dado o P/E mais baixo do Ibovespa e a menor participação do Brasil no MSCI EM.

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Ao projetar 2026 com frentes para “preparar o próximo ciclo” (tecnologia, tarifação, liquidez, risco e produtos) e “ampliar fontes de receita” (renda fixa, duplicatas escriturais, dados e serviços de tecnologia), a B3 amarra execução e orçamento, respeitando a disciplina de custos e investimento que vem comunicando ao mercado. Esse desenho conversa diretamente com o guidance para 2026, com faixas de despesas e CAPEX e referências para 2025, que estruturou premissas de alocação (D&A, CAPEX, despesas atreladas ao faturamento) e condicionou payout e alavancagem à maturação das adjacências e à velocidade do giro nos mercados listados.

Na agenda de diversificação — essencial para reduzir a ciclicidade — a B3 explicita que duplicatas escriturais, dados e tecnologia são vetores de nova monetização. Esse caminho ganhou musculatura com a integração de pagamentos à jornada de crédito e registro, ampliando casos de uso, capilaridade em PMEs e potencial de cross-sell no Balcão. Trata-se da evolução natural da conclusão da aquisição de 62% da Shipay, que habilita a companhia a capturar receitas transacionais e de infraestrutura adjacentes ao core, reforçando a camada recorrente e criando resiliência para atravessar períodos de menor atividade na renda variável.

Do lado operacional, a fotografia recente já vinha sinalizando essa combinação de maior recorrência e monetização por mix. A aceleração do giro em ações, somada ao aumento de RPC em derivativos e ao crescimento do ecossistema de crédito/depositária, validou o pilar de previsibilidade que sustenta a visão apresentada no B3 Day. O padrão foi evidenciado na aceleração de volumes em novembro e maior recorrência em adjacências, quando a B3 compensou oscilações de volumes com preço/mix e expansão de linhas menos cíclicas, reforçando a redução da dependência do mercado à vista.

Por fim, os pilares de Cultura, Governança & Regulação e Alocação de Capital aparecem como sustentação da tese para 2026: transparência para reduzir assimetria, disciplina de gastos e balanceamento entre retorno ao acionista e investimento em tecnologia/risco. Nesse sentido, a decisão de antecipar o reporte de sustentabilidade sob padrões internacionais consolida a previsibilidade do diálogo com investidores e reguladores, integrando riscos e oportunidades ESG à execução e ao capital allocation — coerente com a antecipação do reporte de sustentabilidade alinhado ao ISSB (Resolução CVM 193). Em conjunto, a narrativa do B3 Day não inaugura um plano, mas consolida uma trajetória: fortalecer receitas recorrentes, preservar opcionalidade para os ciclos e preparar o terreno para a retomada do apetite de estrangeiros e institucionais quando as condições mudarem.

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