A B3 divulgou o guidance para 2026 com desembolsos totais entre R$ 3.170 mi e R$ 3.610 mi, incluindo despesas ajustadas de R$ 2.400–2.600 mi, CAPEX de R$ 260–350 mi e despesas atreladas ao faturamento de R$ 510–660 mi. Como referência, para 2025 a companhia projeta desembolsos de R$ 2.840–3.220 mi, com despesas ajustadas de R$ 2.260–2.450 mi, CAPEX de R$ 240–330 mi e despesas atreladas de R$ 340–440 mi. A B3 definiu que as despesas ajustadas excluem depreciação e amortização, programa de incentivo de longo prazo baseado em ações, provisões e as próprias despesas atreladas ao faturamento. Ao abrir faixas para 2026, a administração reforça previsibilidade de custos e investimentos, com leve expansão de CAPEX para sustentar tecnologia e adjacências, D&A de R$ 370–430 mi, alavancagem até 2,2x e payout de 90–110%, em linha com o guidance de 2025 apresentado no 3T25. Mantém-se a lógica de ancorar o custo da dívida na DI, preservar liquidez e modular CAPEX conforme a maturação das adjacências, preservando opcionalidade para atravessar ciclos sem comprometer a remuneração.
No eixo de alocação de capital, o payout projetado de 90–110% — que pode ocorrer via juros sobre capital próprio, dividendos, recompra de ações e/ou outros instrumentos — segue condicionado ao desempenho operacional e às metas de alavancagem. Essa arquitetura dá elasticidade para o retorno ao acionista ao longo do ciclo e conversa com a disciplina de caixa observada nos trimestres recentes. Em paralelo, a decisão do Conselho de autorizar um amplo programa de recompras com janela plurianual e o uso de equity swaps como hedge para planos de ações amplia os caminhos para cumprir o payout sem abrir mão de flexibilidade financeira, como detalhado no programa de recompra de até 230 milhões de ações aprovado em 12/12. Na prática, a combinação de dividendos e recompras permite ajustar a intensidade do retorno às condições de mercado, enquanto a diretriz de alavancagem até 2,2x limita riscos e mitiga diluição desnecessária.
Do lado operacional, o pano de fundo recente reforça as premissas do guidance: aceleração do ADTV de ações na virada do ano, melhora de monetização em derivativos no mês, e a expansão consistente de linhas menos cíclicas — crédito, dados, depositária e soluções analíticas — que aumentam a recorrência das receitas. Essa dinâmica reduz a dependência do mercado à vista e dá visibilidade para sustentar margens e CAPEX dentro das faixas anunciadas, apoiando a manutenção de um payout elevado condicionado à alavancagem. Em novembro, essa tese já se refletiu em volumes mais fortes na renda variável e em maior profundidade do ecossistema de crédito/depositária, como mostrado na aceleração de volumes em novembro e maior recorrência em adjacências. Em síntese, o anúncio de hoje consolida a narrativa de previsibilidade: custos sob controle, investimentos calibrados, balanço prudente e retorno robusto ao acionista ancorado pela disciplina de alavancagem.







