A B3 encerrou novembro de 2025 com um quadro de aceleração no mercado de ações e ajustes no ecossistema de derivativos. O volume financeiro médio diário em ações alcançou R$ 29,266 mi (+3,4% a/a; +26,6% m/m), com destaque para o à vista em R$ 28,036 mi (+3,0% a/a; +26,5% m/m) e opções em R$ 1,004 mi (+38,7% a/a; +30,8% m/m). Em derivativos, o ADV foi de 10,109 mil contratos/dia (-9,8% a/a; -6,6% m/m), com juros em reais a 4,661 mil (+15,7% a/a; -13,9% m/m) e RPC média de R$ 1,255 (-4,2% a/a; +6,4% m/m). Na renda fixa e crédito, novas emissões somaram R$ 2,188 bi (+15,6% a/a; -6,8% m/m), o estoque atingiu R$ 9,188 bi (+20,4% a/a; +3,1% m/m) e o Tesouro Direto chegou a R$ 196 bi (+40,6% a/a; +3,4% m/m). O empréstimo de ativos bateu R$ 201 bi em contratos em aberto (+35,8% a/a) e a depositária somou 6,226 mi de contas (+2,8% a/a), com 5,426 mi de investidores pessoa física (+3,4% a/a). Giro de mercado em 147,8% e capitalização média de R$ 4,743 bi também reforçam o pano de fundo.
Este resultado consolida a virada operacional em que a companhia compensa oscilações de volume por monetização (preço/mix) e pela expansão de linhas menos cíclicas (crédito, dados e tecnologia) — dinâmica que havia sido evidenciada no 3T25, quando a B3 manteve margens elevadas apesar de volumes mais fracos, sustentada por RPC em derivativos e crescimento de Renda Fixa/Crédito, dados e plataformas. Em novembro, a RPC de derivativos avançou 6,4% m/m, o ADTV de ações subiu 26,5% m/m e o estoque de crédito cresceu 3,1% m/m, enquanto Tesouro Direto e empréstimo de ativos seguiram em alta a/a, reduzindo a dependência do giro à vista e ancorando a recorrência de receita. Essa leitura dá continuidade ao padrão observado no desempenho de setembro, quando a monetização via RPC sustentou a receita e o ecossistema de crédito e a depositária ganharam profundidade, sugerindo que a combinação de mix, depositária e balcão segue como amortecedor de ciclos.
Além dos volumes listados, as adjacências continuam a costurar a tese de menor ciclicidade. Em novembro, os participantes do Balcão alcançaram 22.858 (+2,3% a/a), o estoque em Fundos ficou em R$ 5,173 bi (+16,5% a/a) e, em soluções analíticas, houve 623.092 veículos financiados (+3,0% a/a), com penetração do crédito de 32,3% e recuperação m/m. Esse conjunto conversa com a integração de pagamentos à jornada de crédito e ao registro, ampliando casos de uso como duplicatas escriturais e potencializando dados e liquidação — movimento viabilizado pela conclusão da aquisição de 62% da Shipay, peça-chave para conectar pagamentos ao ciclo de registro, custódia e dados. Com mais capilaridade junto a PMEs e varejo, a B3 aprofunda cross-sell no Balcão, eleva a recorrência e dilui a sensibilidade ao humor de curto prazo do mercado à vista.
Por fim, enquanto temas regulatórios permanecem no radar, a empresa tem preservado previsibilidade financeira para sustentar tecnologia e adjacências. O desenho de passivos alongados e ancorados na DI — reforçado em setembro — mitiga risco de refinanciamento e dá conforto para execução, em linha com a estratégia descrita quando foi divulgado o Auto de Infração da Receita e, em paralelo, a disciplina de passivos via 10ª emissão de debêntures para alongar a dívida sem alterar o guidance. Assim, os números de novembro não são um ponto fora da curva: eles se encaixam em uma trajetória que combina monetização por mix, crescimento do ecossistema de crédito/depositária e solidez financeira para sustentar a expansão, mesmo com volatilidade em derivativos e variações pontuais de produtos.







