A Tupy (TUPY3) reportou prejuízo de R$ 40 milhões no 3T25, com receita de R$ 2,4 bilhões (-13% a/a) e EBITDA ajustado de R$ 165 milhões (margem de 7%). A queda de volumes e a apreciação do real pressionaram o resultado, enquanto o negócio tradicional operou com margem de 5% e a MWM, de 11%. Ainda assim, a companhia sustentou disciplina operacional: caixa operacional recorde para um 3º trimestre (R$ 383 milhões) via giro de capital, CPV caindo 7,7%, despesas operacionais -9% e capex de R$ 105 milhões direcionado a novos programas de fundição/usinagem e eficiência. A reorganização industrial pós-aquisições — com redução de ~25% da capacidade em Aveiro e Betim — mira ganhos de R$ 100 milhões a partir de 2026 e R$ 180 milhões/ano de 2027 em diante, enquanto o plano de estoques já liberou R$ 62 milhões no trimestre e prevê mais R$ 200 milhões até dez/25.

Estratégicamente, o trimestre combina pressão conjuntural com avanço do mix: Energia & Descarbonização cresceu (grupos geradores +36%, margem do produto >10%), em linha com a parceria tecnológica e comercial com a Yuchai, que ampliou o portfólio off-road e grupos geradores e acelerou o eixo de combustíveis alternativos. Esse vetor, já observado desde o 2T25, ajuda a reduzir a volatilidade de volumes ao alongar ciclos e reforçar margens, enquanto a reorganização fabril prepara o terreno para capturar eficiência quando a demanda normalizar. A alavancagem encerrou em 2,58x EBITDA LTM, com gestão de passivos dolarizados e caixa parcialmente em moeda estrangeira mitigando riscos cambiais. Nesse contexto, o interesse do mercado por uma tese de longo prazo permanece: a participação relevante da Charles River Capital em 05/nov/2025, ancorada em previsibilidade de receitas, contratos de ciclo longo e exposição a energia e datacenters, dialoga com a narrativa de transição da Tupy para aplicações premium e maior recorrência de aftermarket, ainda que os próximos trimestres sigam desafiadores.

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