Nesta segunda, 15/12/2025, a Itaúsa aprovou aumento de capital de R$ 2,5 bilhões via capitalização de reservas de lucros, com bonificação de 2% (219.876.212 novas ações, sendo 75,6 milhões ON e 144,3 milhões PN). O capital social passará a R$ 83,689 bilhões, totalizando 11,213 bilhões de ações. Terão direito os acionistas posicionados em 18/12/2025, com crédito das ações em 23/12. As bonificadas farão jus integral a proventos a partir de 23/12, e o custo fiscal atribuído é de R$ 11,370033972 por ação. Segundo a administração, a medida busca tornar o preço por ação mais acessível, ampliar liquidez e gerar valor; frações serão agrupadas e vendidas em leilão após o período de transferências.
Mais do que um evento contábil, a bonificação encaixa-se na narrativa de remuneração e eficiência: ao manter o valor por ação dos proventos em R$ 0,02 e ampliar o número de papéis em circulação, a Itaúsa preserva a renda recorrente do acionista e potencializa o efeito de liquidez sem consumir caixa. O desenho reforça previsibilidade (proventos trimestrais, calendário claro) e conversa com a percepção de perenidade do fluxo de dividendos/JSCP suportado por geração das investidas. Em dezembro, a companhia já havia sinalizado essa prioridade ao aprovar um volume expressivo de distribuição, o que consolidou o compromisso com retorno em dinheiro e disciplina de capital; ver a aprovação de proventos adicionais de R$ 8,7 bilhões em 1º de dezembro.
Do ponto de vista de estrutura de capital, a escolha por capitalizar reservas e bonificar ação, em vez de captar recursos, é consistente com um balanço leve e um custo financeiro em queda. A previsibilidade de resultado financeiro e a folga de liquidez foram construídas nos últimos trimestres com liability management, alongamento de duration e reafirmações de rating, o que reduz o risco de refinanciamento e sustenta políticas estáveis de distribuição. Esse pano de fundo permite que a holding equilibre alocação de capital, remuneração e simplificação societária, mantendo alavancagem contida e espaço para novas janelas de otimização quando oportunas; ver a gestão ativa do passivo e rating AAA reafirmados no 3T25.
Estratégicamente, a bonificação também endereça um vetor de valor frequentemente debatido em holdings: liquidez e acessibilidade como alavancas para reduzir o desconto para o valor do portfólio. Ao aumentar o número de ações e racionalizar o preço, a Itaúsa busca ampliar o book, estimular negociações e, potencialmente, encurtar o gap em relação ao NAV — movimento que conversa com a agenda de destravamento via distribuição, rotação e governança ativa já mapeada na apresentação de novembro (9M25), quando a administração destacou o desconto de ~25% ao NAV e as alavancas de fechamento. Operacionalmente, as frações poderão ser negociadas entre 26/12/2025 e 26/01/2026; sobras serão leiloadas na B3 e o resultado líquido, repassado proporcionalmente.







