A Itaúsa (ITSA3, ITSA4) reportou lucro líquido recorde de R$ 4,207 bilhões no 3T25, alta de 10,2% na comparação anual, com lucro recorrente de R$ 4,120 bilhões e ROE de 18,5% (18,1% recorrente). No acumulado de 9M25, o lucro atingiu R$ 12,187 bilhões (+10,2% a/a), sustentado por maior contribuição das investidas e efeitos não recorrentes positivos de R$ 88 milhões.

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As investidas entregaram resultado recorrente de R$ 4,369 bilhões (+7,2%), com o setor financeiro a R$ 4,085 bilhões (+7,1%) puxado pelo Itaú Unibanco, e o não financeiro a R$ 330 milhões (+4,4%), com avanços de Aegea, Alpargatas, NTS e Motiva; Copa Energia ficou estável e Dexco recuou. No resultado próprio, destacaram-se despesas administrativas de R$ 44 milhões, tributárias de R$ 118 milhões e resultado financeiro de -R$ 110 milhões, impactado por fees de liability management. Entre os itens não recorrentes, Motiva (+R$ 57 milhões, com reequilíbrio da ViaQuatro) e a recuperação de créditos tributários no Resultado Próprio da holding (+R$ 45 milhões) compensaram provisões extraordinárias do Itaú Unibanco (-R$ 37 milhões).

Na estrutura de capital, a companhia pré-pagou a 6ª emissão de debêntures (R$ 1,25 bi) usando a 8ª emissão (R$ 1 bi) e caixa (R$ 250 mi), reduzindo o custo médio de CDI+1,54% a.a. para CDI+1,11% a.a., aumentando o prazo médio de 6,5 para 7,4 anos e cortando a dívida bruta em mais de 30%. Este movimento dá continuidade à gestão ativa de passivos e consolida a estratégia explicitada na conclusão da 8ª emissão de debêntures em setembro de 2025, desenhada para resgatar a 6ª emissão, alongar duration e reduzir o spread de crédito, diminuindo o risco de refinanciamento e trazendo previsibilidade ao resultado financeiro. A dívida líquida encerrou em R$ 697 milhões (DL/NAV de 0,4%), com cobertura de juros de 14,9x, enquanto S&P, Fitch e Moody’s reafirmaram o rating AAA — combinação que preserva flexibilidade para novas otimizações de passivo citadas pela administração.

Na remuneração, as investidas declararam R$ 3,340 bilhões à Itaúsa nos 9M25, e a holding distribuiu R$ 2,945 bilhões aos acionistas. Nos últimos 12 meses, os proventos brutos somaram R$ 11,1 bilhões (R$ 1,0185/ação), com dividend yield de 8,9%. Diferentemente do perfil anterior — com custo mais alto e prazo menor — a nova estrutura de dívida reforça a capacidade de manter um fluxo de proventos robusto sem pressionar a alavancagem, alinhando execução financeira com a estratégia de desalavancagem e alongamento do passivo.

Em valuation, o NAV do portfólio somou R$ 168,133 bilhões ante valor de mercado de R$ 126,073 bilhões, implicando desconto de 25%. Para o investidor, a combinação de lucro recorde, avanço operacional das investidas e menor custo financeiro sustenta a tese de distribuição consistente e potencial de redução do desconto ao NAV, com pontos de atenção na recuperação de Dexco, na continuidade do desempenho de Aegea/Alpargatas/NTS/Motiva e na execução de novas janelas de liability management quando oportunas.

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