Casas Bahia (BHIA3) aprovou a 11ª emissão de debêntures, em até quatro séries, que pode chegar a R$ 3,95 bilhões. As séries 1 e 4 serão não conversíveis (com garantia real e quirografária, respectivamente) e as séries 2 e 3 serão conversíveis em ações, com preço de referência de R$ 3,71 por ação. Os recursos, se captados, serão destinados ao reperfilamento da 10ª emissão e/ou reforço de caixa. A oferta é destinada a investidores qualificados e profissionais, prevê direito de prioridade aos acionistas e depende, entre outros fatores, da aprovação do reperfilamento da 10ª emissão em AGDs.
Estruturalmente, a 11ª emissão combina duas alavancas do Plano de Transformação da Estrutura de Capital: alongamento de passivos (séries não conversíveis) e trilho de equitização ordenada (séries conversíveis, com conversões trimestrais e lock-up). Este movimento dá continuidade ao ciclo aberto pelo aumento do capital autorizado e às negociações de reperfilamento da 10ª emissão submetidos em 25/11, preservando timing para soluções de balanço conforme as condições de mercado e os quóruns em assembleias de debenturistas.
Diferentemente de ciclos passados, quando a empresa expandia com maior pressão de capital, o desenho atual sinaliza disciplina: conversões escalonadas por janelas, prioridade aos atuais acionistas e uso da oferta como ferramenta de liability management, com possibilidade de dação em pagamento de debêntures da 10ª emissão. A lógica é reduzir risco de refinanciamento e suavizar o custo financeiro, que ainda pesa sobre o resultado. Esse racional dialoga com a agenda de 2025, quando a companhia já promoveu a conversão de R$ 1,6 bi da 2ª série e o alongamento da 1ª série reportados no 3T25, além de melhorar margem e geração de caixa livre, preparando terreno para capturar 2026 com uma estrutura de capital mais leve.
Ao mesmo tempo, a transformação não se limita ao passivo financeiro: a empresa vem reposicionando o papel do crédito no ecossistema, migrando risco e funding para parceiro especializado. A alienação da FIC e do Banco Investcred ao Itaú anunciada em 08/12 reduz exigências de capital próprio para financiamento ao consumo, simplifica a arquitetura societária e libera foco para execução comercial. Com o crédito sob nova governança e a 11ª emissão oferecendo um canal adicional de alongamento e, potencialmente, equitização, a estratégia converge para menor alavancagem, maior previsibilidade de liquidez e alinhamento entre escala comercial e disciplina financeira.







