A Casas Bahia reportou prejuízo de R$ 496 mi no 3T25, pressionado pelo resultado financeiro negativo de R$ 1,061 bi, apesar da oitava alta consecutiva da margem EBITDA ajustada, que chegou a 8,5%. A receita líquida cresceu 7,3% a/a, o EBITDA ajustado avançou 19,6% a/a para R$ 587 mi. No topo do funil, o GMV subiu 8,5% a/a, com online +12,7% (3P +17,7%; 1P online +9,2%) e SSS nas lojas físicas de +7,8%, com ganho de 0,7 p.p. de market share. A geração de caixa livre foi de R$ 488 mi e a liquidez somou R$ 3,0 bi. No crédito, a carteira alcançou R$ 6,2 bi, com inadimplência over-90 estável em 8,4%.

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Do lado comercial e de canais, o trimestre já refletiu a aceleração do digital e a preparação para a alta sazonal, em linha com a parceria estratégica com o Mercado Livre anunciada em 23 de outubro. A tração de 3P, o avanço do 1P online e o salto de 62% em retail mídia, com ROAS médio 24% maior, indicam um modelo omnicanal mais escalável: marketplace como vetor de distribuição, 1P disciplinado em sortimento e margem, e lojas físicas integradas à captura de demanda. Esse desenho tende a favorecer conversão e diluição de custos fixos no 4T, ao mesmo tempo em que reforça posicionamento competitivo em categorias core.

Na frente financeira, a empresa seguiu o reequilíbrio da estrutura de capital: converteu R$ 1,6 bi da 2ª série de debêntures em ações, reperfilou a 1ª série para nov/27 preservando cerca de R$ 400 mi de caixa e manteve a dívida líquida/EBITDA ajustado em 1,9x. Esses movimentos se somam à 1ª emissão do FIDC Risco Sacado para fornecedores concluída em 22 de setembro, que amplia o acesso a funding e alonga prazos com parceiros, reduzindo pressão sobre capital de giro. Com FCF positivo de R$ 488 mi e gestão orientada a caixa, a companhia cria amortecedores para sustentar o 1P, dar previsibilidade ao abastecimento e capturar a demanda do pico sazonal sem sacrificar rentabilidade. Além do efeito financeiro, o arcabouço de governança e disciplina de capital citado no material gerencial fortalece o acompanhamento de riscos de crédito, margem e execução logística, elementos críticos para transformar ganho operacional em geração de caixa recorrente.

Essa engrenagem conecta-se diretamente à estratégia para o 4º trimestre: crédito próprio calibrado, sortimento enxuto e integração loja–digital, como já antecipado na largada da Black Friday 2025 com R$ 1,2 bi em crediário e foco omnicanal. Em conjunto, a melhora consistente de margem, a expansão do digital com novos canais e o reforço da estrutura de capital sustentam a mensagem de que a melhora gradual do EBITDA deve gerar evolução positiva do fluxo de caixa livre ao longo do tempo. Pontos de atenção seguem no custo do dinheiro (resultado financeiro ainda elevado) e na disciplina de mix entre 1P/3P para preservar margem e giro.

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