No 3T25, a B3 reportou lucro líquido recorrente de R$ 1.257,5 mi (+2,6% a/a; -1,6% t/t), receita total de R$ 2.766,9 mi (+2,0% a/a; +0,8% t/t) e receita líquida de R$ 2.485,9 mi (+2,1% a/a; -2,2% t/t). O EBITDA recorrente foi de R$ 1.727,0 mi, com margem de 69,5% (-58 bps a/a; -29 bps t/t). O resultado financeiro somou R$ 61,4 mi (-16,6% a/a; -54,8% t/t) e o LPA atingiu R$ 0,24 (+11,6% a/a; -5,5% t/t). Mesmo com volumes mais fracos em derivativos e ações, a B3 voltou a compensar com preço/mix e com a expansão de linhas menos cíclicas (crédito, dados e tecnologia). Esse padrão dá sequência ao desempenho de setembro que evidenciou monetização via RPC e a expansão do ecossistema de crédito. No trimestre, essa alavanca se expressou na RPC de derivativos (+10,9% a/a; +14,1% t/t) e em crescimento de Renda Fixa/Crédito, amortecendo o ADTV menor da renda variável e mantendo margens ainda elevadas, mesmo com compressão de 58 bps a/a e leve retração sequencial.

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Por segmento, Derivativos responderam por 32% da receita (R$ 888 mi, -7% a/a; -1% t/t), com ADV de 9,3 mi (-18,3% a/a) e RPC média de R$ 1,325 (+10,9% a/a; +14,1% t/t). Em Renda Variável, a receita foi de R$ 524 mi (-9% a/a; -7% t/t), com ADTV de R$ 21,754 mi (-6,5% a/a; -16,5% t/t), margem de negociação e pós-negociação de 3.207 bps e giro de mercado de 124%. Renda Fixa e Crédito somou R$ 349 mi (+21% a/a; +6% t/t), com emissões +11% e estoques médios em alta, enquanto Empréstimo de Ativos atingiu R$ 77 mi (+16% a/a). Soluções Analíticas de Dados renderam R$ 291 mi (+18% a/a), e Tecnologia e Plataformas R$ 482 mi (+13% a/a), apoiadas por DataWise+, verticais de Crédito/Prevenção de Perdas/Seguros e correções inflacionárias em serviços de infraestrutura. Esse ganho de recorrência nas adjacências dialoga com a expansão da infraestrutura de crédito e pagamentos, reforçada pela conclusão da aquisição de 62% da Shipay, que conecta pagamentos ao ciclo de registro, custódia e dados, peça que tende a ampliar casos de uso em duplicatas escriturais, elevar cross-sell no Balcão e reduzir a ciclicidade do resultado. Ao combinar depositária mais profunda, crescimento do SNG (1,914 milhão de veículos financiados no trimestre) e maior base de clientes no Balcão, a companhia fortalece receitas menos dependentes do giro de ações e cria alavancas de monetização por dados e infraestrutura.

Nas despesas, o total foi de R$ 841,0 mi (+1,2% a/a; -0,4% t/t) e as ajustadas somaram R$ 598,1 mi (+3,5% a/a; +3,9% t/t), com Pessoal e Encargos de R$ 401,3 mi (+7%) e TI de R$ 176,4 mi (+8%). No trimestre, a B3 realizou a 10ª emissão de debêntures (R$ 2,6 bi a CDI + 0,45% a.a., prazo de 5 anos), permitindo o pré-pagamento da 7ª emissão (CDI + 1,05% a.a.). Em 9M25, o caixa líquido operacional ajustado foi de R$ 5.348 mi; após investimentos (R$ 159 mi), proventos (R$ 1.109 mi) e recompras (R$ 1.536 mi), o caixa gerado foi de R$ 3.193 mi. Para 2025, o guidance indica despesas ajustadas de R$ 2.260–2.450 mi, investimentos de R$ 240–330 mi, despesas atreladas ao faturamento de R$ 340–440 mi e D&A de R$ 340–400 mi. O desenho financeiro consolida a disciplina de passivos — alongando duration e ancorando custo na DI — e preserva liquidez para tecnologia e adjacências, em linha com a 10ª emissão de debêntures em setembro para alongar passivos sem alterar o guidance de alavancagem, o que mitiga risco de refinanciamento e dá previsibilidade de caixa enquanto temas regulatórios permanecem no radar. Em síntese, o 3T25 confirma resiliência com leve pressão sequencial e consolida a estratégia de reduzir ciclicidade por meio de monetização por mix e expansão do ecossistema de crédito, dados e pagamentos.

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