Nesta sexta-feira, 12 de dezembro de 2025, a B3 (B3SA3) informou que o Conselho de Administração aprovou um programa de recompra de até 230 milhões de ações ordinárias e autorizou a celebração de contratos de equity swap com exposição equivalente a até 17 milhões de ações. O objetivo é administrar a estrutura de capital e reforçar o retorno de capital aos acionistas, combinando recompras e distribuição de proventos, enquanto os derivativos buscam reduzir os efeitos de oscilações no preço das ações diante de compromissos de remuneração baseada em ações. O programa poderá ser executado entre 2 de março de 2026 e 28 de fevereiro de 2027; atualmente, a Companhia reporta 5,048 bilhões de ações em circulação e 205,8 milhões em tesouraria. As ações adquiridas poderão ser canceladas, usadas em planos de ações ou mantidas em tesouraria; os swaps terão liquidação exclusivamente financeira e não envolvem aquisição/alienação de ações. O Conselho avaliou que reservas e geração de caixa são compatíveis com o programa, sem impacto no pagamento de dividendos obrigatórios.
Na narrativa de alocação de capital da B3, este passo dá continuidade à disciplina de retorno ao acionista com instrumentos que preservam flexibilidade para atravessar ciclos. A companhia encerrou o 3T25 combinando forte geração de caixa, recompras já realizadas no ano e gestão prudente do passivo — alicerces que sustentam programas plurianuais e preservam espaço para proventos. Essa trajetória foi explicitada no 3T25, quando a B3 combinou geração de caixa robusta, recompras e alongamento de passivos, e ajuda a entender por que o Conselho enxerga capacidade de executar a recompra sem comprometer investimentos e obrigações.
Os contratos de equity swap com liquidação exclusivamente financeira funcionam como hedge econômico para pagamentos atrelados às ações, reduzindo o descompasso entre o momento da remuneração de executivos e a volatilidade do papel. Na prática, a B3 limita o impacto de preço no resultado e evita diluição desnecessária, ao mesmo tempo em que mantém opcionalidade: recomprar quando o balanço e as condições de mercado forem mais favoráveis. Esse desenho conversa com a estratégia recente de fortalecer a previsibilidade financeira por meio de liability management e defesas contra incertezas externas. Em 2025, temas regulatórios permaneceram no radar, mas a Administração reforçou que o alongamento de dívida e o perfil de caixa dão conforto para manter execução e remuneração ao acionista, como ilustrado pelo Auto de Infração da Receita e a 10ª emissão de debêntures para alongar passivos sem alterar o guidance.
Além da engenharia financeira, o pano de fundo operacional ficou mais favorável na virada do ano, com recuperação do giro em ações e maior recorrência nas adjacências de crédito, dados e depositária. Esse ambiente reduz a dependência do mercado à vista e dá visibilidade de geração de caixa, o que aumenta a confiança em um programa de recompra com janela longa e execução tática. O movimento é consistente com a aceleração de volumes em novembro e a consolidação da monetização por mix e de linhas menos cíclicas, que a companhia tem usado como amortecedor de ciclos.







