Nesta segunda-feira, 27 de outubro de 2025, a B3 (B3SA3) informou que recebeu Auto de Infração da Receita Federal referente aos exercícios de 2021 e 2022, questionando exclusivamente o aproveitamento de prejuízos fiscais decorrentes da amortização do ágio, nos valores de R$ 674 milhões (IRPJ) e R$ 257 milhões (CSLL). A companhia reiterou que o ágio, originado na incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. pela BM&FBOVESPA, foi constituído e amortizado conforme a legislação, lembrou duas decisões favoráveis e definitivas no CARF em 2024 e 2025 que cancelaram autos sobre a mesma matéria e destacou que não houve aproveitamento significativo de prejuízos fiscais decorrentes do ágio após 2022. Como próximos passos, a B3 apresentará impugnação no prazo regulamentar.
Mais do que um episódio isolado, o Auto de Infração se insere num quadro em que o ambiente regulatório segue no radar, inclusive pelo histórico recente de escrutínio concorrencial. Esse pano de fundo foi lembrado na agenda do 3º tri, que citou a instauração de processo no Cade em estágio preliminar. Para o investidor, o contencioso tributário tende a ter tramitação plurianual e baixa previsibilidade de tempo; a companhia ressalta ainda que não houve aproveitamento relevante de prejuízos após 2022 e que já obteve decisões definitivas no CARF sobre matéria similar, o que mitiga riscos de caixa no curto prazo.
Do lado financeiro, a B3 tem reforçado a resiliência do balanço para atravessar incertezas regulatórias sem comprometer execução estratégica. A 10ª emissão de debêntures em setembro para alongar passivos sem alterar o guidance de alavancagem é um marco de liability management que reduz risco de refinanciamento, ancora o custo de dívida na DI e preserva liquidez, conferindo previsibilidade ao perfil de caixa enquanto temas como o atual Auto de Infração percorrem as instâncias administrativas. Esse desenho, aliado à disciplina de alocação de capital, tende a sustentar investimentos e a remuneração recorrente mesmo em cenários de maior escrutínio.
No operacional, a companhia vem diminuindo a ciclicidade do resultado ao combinar monetização por preço/mix com a expansão do ecossistema de crédito e depositária — fatores que aumentam a recorrência de receita e a qualidade do fluxo de caixa. O desempenho de setembro que evidenciou monetização via RPC e a expansão do ecossistema de crédito reforça essa trajetória, oferecendo amortecedores econômicos enquanto a discussão fiscal evolui. Em síntese, o Auto de Infração é mais um capítulo de uma agenda regulatória contínua; a resposta da B3 combina defesa jurídica com robustez financeira e execução operacional, elementos que contribuem para preservar previsibilidade e opcionalidade estratégica ao longo do ciclo.







