A Cury (CURY3) precificou a oferta primária em R$ 35,50 por ação e emitirá 16.172.506 ON, com captação líquida estimada de R$ 549,4 milhões. Os recursos serão destinados ao pagamento de dividendos intermediários e intercalares de R$ 573 milhões. As novas ações serão negociadas no Novo Mercado a partir de 15/12, com liquidação física e financeira em 16/12. O bookbuilding considerou a cotação na B3 e a demanda por volume e preço, tendo sido apurada demanda para 100% do lote. Na alocação contábil, R$ 9,35 por ação reforçam o capital social (R$ 151,2 milhões) e R$ 26,15 vão para reserva de capital (R$ 422,9 milhões), levando o capital social a R$ 658,1 milhões e o total para 308,0 milhões de ações. A oferta, destinada exclusivamente a investidores profissionais, excluiu o direito de preferência (com direito de prioridade), não contou com lote adicional nem suplementar e não terá estabilização; diante de excesso de demanda superior a 1/3, foi vedada a colocação a Pessoas Vinculadas e a subscrição por investidores com vendas a descoberto. Com isso, a precificação executa o desenho anunciado no Fato Relevante de 4/12 que estruturou a oferta, definiu prioridade e vinculou os recursos a dividendos de até R$ 573 milhões.
Este movimento consolida a estratégia de capital allocation da companhia: converter desempenho operacional em retorno sem descasar o pipeline de obras e lançamentos. A exclusão de preferência com direito de prioridade tende a ampliar o free float e a liquidez, ao mesmo tempo em que organiza a participação da base atual. A negociação antes da liquidação e a ausência de estabilização podem aumentar a sensibilidade do papel no curto prazo; por outro lado, o cronograma claro mitiga ruídos sobre elegibilidade ao provento e reforça previsibilidade. Na prática, a combinação de aumento de capital e destinação explícita aos proventos viabiliza um pagamento robusto ainda em 2025, mantendo o balanço enxuto e a disciplina na execução que a Cury vem comunicando. A etapa de hoje se conecta diretamente aos dividendos de R$ 573 milhões aprovados em 11/12, com record date na liquidação e pagamento ainda em dezembro.
Por trás da decisão, estão fundamentos operacionais que sustentam payout elevado e recorrente: giro alto de caixa, estoque majoritariamente em obras, aderência ao MCMV e foco nas praças de SP e RJ. A forte demanda apurada no bookbuilding confirma a capacidade de acessar o mercado em bases competitivas, enquanto a alocação entre capital social e reserva de capital preserva flexibilidade para o próximo ciclo. Ao enfatizar que o preço da oferta não indica o comportamento no secundário, a companhia também ancora expectativas no curto prazo e reforça a coerência do plano. Esses vetores foram evidenciados no resultado do 3T25, com ROE de 70,6%, 26º trimestre de caixa positivo e pagamento de R$ 200 milhões em dividendos, que dá lastro à decisão de transformar execução em retorno mantendo a capacidade de crescimento.







