No Investor Day de 10 de dezembro de 2025, a Taurus apresentou lucro líquido de R$ 83,3 mi e receita de R$ 1.071,8 mi nos 9M25, com EBITDA de R$ 106,1 mi (margem de 9,9% excluindo itens não recorrentes) e margem bruta de 34,1%. A administração detalhou o impacto da tarifa de 50% nos EUA (efeito de US$ 16 mi nos 11M25) e um pacote de mitigação que inclui reajuste de preços, embarques antecipados, ajuste de preço de transferência Brasil–EUA, transferência de linhas de montagem e reforço de lobby. O movimento dá continuidade ao redesenho da cadeia e à estratégia de mitigação das tarifas descritos no 3T25, quando a companhia iniciou a migração de linhas para os EUA, preservou margem bruta acima de 30% e capturou créditos tributários (Difal), preparando o terreno para atravessar o ciclo tarifário.
Em capital e liquidez, a dívida bruta bancária somava R$ 774,4 mi em 30/9/25 (80,2% em US$), com R$ 630,8 mi vencendo em 2025 e R$ 423,9 mi potencialmente roláveis via saques cambiais — reduzindo a pressão para 12 meses a R$ 206,9 mi (26,7%). A companhia mapeou receitas de recuperação fiscal de ≈R$ 88 mi e acessou linhas do Plano Brasil Soberano (BNDES R$ 100 mi e Banco ABC R$ 50 mi), além de avançar em P&D financiado pela Finep. Em paralelo, a Taurus reforçou a disciplina de margens e comparou competitividade no 3T25: 31,1% de margem bruta versus 15,1% (Ruger) e 25,9% (S&W), coerente com o compromisso de rentabilidade superior reiterado pela gestão.
Operacionalmente, a capacidade instalada totaliza ≈2,7 mi de armas/ano (São Leopoldo, Bainbridge e Hisar). A empresa destacou o CITE e a TSA (linha de tiro de 200 m) com obras previstas para conclusão no 1S26 e um pipeline de produtos: GX2 em 2025, e no 1T26 a TX9 (protocolos militares e policiais) e a RPC (carabina/submetralhadora) — iniciativas que reposicionam o mix para faixas menos pressionadas pela concorrência de armas usadas nos EUA e ampliam o portfólio sem canibalizar a linha atual. No Brasil, o novo modelo de distribuição (atendimento direto aos maiores varejistas + 2 distribuidores) já cobre ~60% do mercado, conectando oferta e sell-out. No front de comunicação com o mercado, o Investor Day aprofunda a agenda prometida na live para detalhar os resultados do 3T25, amarrando tarifas, capacidade, novos produtos e endividamento em um roteiro único.
Em síntese, o Investor Day consolida a travessia estratégica iniciada no 3T25: mitigação de tarifas com realocação fabril e precificação, reforço de caixa via créditos fiscais e linhas de longo prazo, P&D ancorado pela Finep e lançamentos que elevam o ticket médio (TX9 e RPC). Com alavancagem em 2,95x (vs. 11,17x em 2018) e um histórico recente de R$ 1,7 bi devolvidos aos acionistas, a companhia sinaliza foco em resiliência e rentabilidade, enquanto prepara o próximo ciclo com capacidade, inovação e canais calibrados.







