Nesta terça-feira, 9 de dezembro de 2025, a Neoenergia informou que, em 19 de dezembro de 2025, pagará juros sobre capital próprio referentes ao 2º semestre de 2024 (R$ 316,1 mi; R$ 0,2605277891 por ação ON; data-base 17/12/2024; ex a partir de 18/12/2024) e ao 1º semestre de 2025 (R$ 264 mi; R$ 0,2174992573 por ação ON; posição de 17/06/2025; ex a partir de 18/06/2025). Haverá retenção de IR conforme a Lei 9.249/95, salvo dispensas já registradas junto ao custodiante.
Na prática, o anúncio organiza e antecipa ao investidor o que entra no caixa em dezembro e como cada parcela se relaciona com períodos contábeis distintos. O pagamento de JCP se soma aos dividendos aprovados na AGO/E de 17/04/2025, com pagamento em 19/12/2025 referentes a 2024, concentrando em uma única data a liquidação de proventos de naturezas e bases diferentes. Como os dois JCP já tinham datas-base e janelas ex definidas (dez/24 e jun/25), o investidor deve apenas observar o regime tributário de JCP e eventuais ajustes de custódia, sem impacto na elegibilidade por quem entrou após as respectivas datas ex. Em termos de caixa, o cronograma mantém previsibilidade e encerra o ciclo de remuneração do exercício 2024, ao mesmo tempo em que antecipa parte do retorno atrelado ao 1S25.
Há também um componente societário relevante. A controladora protocolou oferta pública para aquisição das ações ordinárias no fim de novembro; conforme o edital, o preço proposto é atualizado pela Selic e está sujeito a abatimentos por proventos. O histórico está no pedido de OPA protocolado em 24/11/2025, com preço sujeito a deduções por dividendos. Como estes JCP tiveram datas-base anteriores (17/12/2024 e 17/06/2025) e as ações negociaram ex nas respectivas datas, o efeito econômico para quem avaliar aderir à OPA dependerá da posição do acionista naquelas datas e do detalhamento final do edital sobre pagamentos efetuados após o anúncio, mas referentes a períodos pretéritos. Em outras palavras, o calendário de proventos e as cláusulas de dedução devem ser lidos em conjunto para evitar surpresas no preço líquido.
Do ponto de vista de sustentabilidade do payout, o movimento reforça a coerência entre remuneração e geração de caixa regulada. A companhia vem ancorando resultados no negócio de redes, com CAPEX e expansão de base regulatória convertidos em EBITDA recorrente; essa trajetória está detalhada no factbook 2024 que consolidou lucro de R$ 3,6 bi, EBITDA de R$ 12,5 bi e CAPEX 98% em redes. Ao manter previsibilidade operacional e simplificar a estrutura de capital, a Neoenergia preserva capacidade de financiar o ciclo de investimentos e, ao mesmo tempo, sustentar uma política de proventos compatível com o fluxo de caixa do core regulado.







