O factbook 2024 da Neoenergia sintetiza um ciclo de execução ancorado em redes: lucro líquido de R$ 3.635 mi, EBITDA de R$ 12.517 mi e margem bruta caixa de R$ 15.228 mi, com despesas operacionais equivalentes a 24% da margem. O CAPEX de R$ 9,8 bi foi 98% alocado a Redes (R$ 5.468 mi em distribuição e R$ 4.134 mi em transmissão), elevando a RAB líquida para R$ 43 bi. Na distribuição, o EBITDA atingiu R$ 10,4 bi, com 16,6 milhões de clientes e 75.683 GWh de energia distribuída (cativo + livre + GD). Esse desenho consolida a tese de redes como motor dos resultados e dá sequência ao que já aparecia nos resultados do 3T25 que destacaram a resiliência do EBITDA de redes e a RAB de R$ 42,7 bi, quando a companhia acelerou investimentos regulados e sustentou margens mesmo sob pressão de encargos e custo financeiro.
Ao detalhar a alocação de capital — R$ 193 mi em Geração e Clientes (manutenção em eólicas, hídricas, solar e Termopernambuco) versus a priorização de redes — o material reforça a direção corporativa: ampliar base regulatória, converter CAPEX em EBITDA e preservar disciplina financeira. Na Coelba, por exemplo, o avanço do mercado (+5,7% em 2024), EBITDA de R$ 4,9 bi, qualidade (DEC e FEC abaixo do limite) e capex majoritariamente para expansão de rede mostram a preparação para RTP e para a renovação do ciclo de eficiência. Essa execução fica ainda mais ágil após o closing da aquisição da fatia da Previ e extinção do acordo de 2017, que simplificou a governança ao elevar a participação do grupo controlador para 83,8% e alinhou a tomada de decisão com o foco em negócios regulados de retorno previsível.
No fronte regulatório, o factbook aponta WACC real pós-tax de 8,06% para revisões entre mar/25 e fev/26 e um calendário de RTPs que inclui Pernambuco (2025), Brasília (2026), Elektro (2027) e Coelba/Cosern (2028). Essa visibilidade se soma a ajustes recentes que fortaleceram a Parcela B e a previsibilidade de caixa, sustentando a capacidade de financiar manutenção, expansão e digitalização de redes. Em Brasília, por exemplo, a recomposição de custos e a remuneração de investimentos foram reforçadas pelo reajuste tarifário em Brasília com Parcela B +8,3% em outubro, conectando volume, qualidade e eficiência a um fluxo regulatório mais estável e menos sujeito à volatilidade dos custos não gerenciáveis.
Por fim, a leitura de longo prazo combina concessões mais robustas e metas de qualidade com disciplina de capital e rotação seletiva de ativos. A prorrogação de contratos e a redução de riscos de fim de concessão ampliam o horizonte para ciclos plurianuais de CAPEX em combate a perdas, automação e melhoria de indicadores, enquanto a execução operacional nas distribuidoras de maior escala (como a Coelba, cuja concessão vence em agosto de 2027) tende a capturar sinergias e elevar a base regulatória. Esse mosaico ganha evidência com a prorrogação da concessão da Neoenergia Pernambuco por 30 anos até 2060, que exemplifica como previsibilidade regulatória e governança alinhada sustentam a narrativa: foco em redes, EBITDA recorrente, crescimento da RAB e capacidade de entregar retornos regulados com qualidade de serviço.







