Na segunda-feira, 24 de novembro de 2025, a Neoenergia informou que sua controladora, Iberdrola, protocolou na CVM pedido de OPA para adquirir até a totalidade das ações ordinárias, exceto as já detidas pela controladora e as mantidas em tesouraria. O preço proposto é de R$ 32,50 por ação, atualizado pela Selic desde 31/10/2025 até a liquidação e sujeito a deduções por dividendos. A operação combina a conversão do registro de emissora da categoria “A” para “B” com a saída do Novo Mercado da B3, buscando simplificação societária e redução de custos. O valor toma como referência a Aquisição Previ (31/10/2025) e, nos termos da Resolução CVM 215, houve dispensa automática de laudo de avaliação; abre-se também o prazo de 15 dias para eventual requerimento por acionistas com, no mínimo, 10% do free float. Este movimento dá continuidade à reorganização iniciada no closing da aquisição da fatia da Previ em 31/10/2025, que elevou o controle para 83,8% e simplificou a governança.

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Na prática, a OPA consolida a centralização decisória e alinha a estrutura societária ao playbook que a companhia vem executando: foco em negócios regulados, disciplina de capital e previsibilidade de caixa. Ao combinar a conversão para categoria B e a saída do Novo Mercado, a Iberdrola aponta para redução de custos e requisitos associados ao status de listagem, preservando flexibilidade para financiar o ciclo de investimentos de longo prazo. Essa direção já estava explícita no factbook 2024, que reforça o foco em redes e a disciplina de capital com CAPEX majoritariamente em distribuição e transmissão, destacando a expansão da RAB e a conversão de CAPEX em EBITDA como vetores centrais de valor.

Desde a simplificação de governança, a execução acelerou com reciclagens seletivas que reduzem volatilidade e liberam capacidade para redes. A combinação de monetização parcial de SPEs, PPAs de longo prazo e decisões táticas em geração tem funcionado como ponte para sustentar o ciclo regulado, preservando retorno e caixa. Exemplo emblemático é a rotação de ativos com a venda de Dardanelos e coinvestimento com a EDF, estrutura que captura valor no presente, compartilha risco e mantém opcionalidade. A OPA tende a consolidar esse roteiro: simplifica a estrutura, reduz fricções societárias e dá agilidade às decisões de portfólio, enquanto o arcabouço regulatório e os direitos dos minoritários permanecem resguardados pela legislação aplicável.

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