A AXIA Energia (ex-Eletrobras) convocou AGE para 19/12/2025 propondo distribuir parte das reservas de lucro por meio de bonificação em ações preferenciais classe C (PNC) e criar preferenciais resgatáveis (PNR). O desenho preserva flexibilidade financeira, evita diluição e garante o prêmio econômico de 10% das preferenciais. As PNCs terão voto (one share, one vote), 100% de tag along e mesmo direito econômico das ONs, com conversão mandatória 1:1 até 2031 (mínimo de 4% a.a. entre 2026 e 2030 e 80% em 2031), além da possibilidade de resgate ao preço das ONs. Para viabilizar o prêmio das PNs, cada PNA virará PNA1 + PNR e cada PNB, PNB1 + PNR; as PNRs serão imediatamente resgatadas, no valor calculado por 10% x VC / TA (VC = montante capitalizado; TA = total de ações antes da AGE). A proposta inclui elevar o capital autorizado e ajustar a poison pill para considerar concentração de voto, inclusive com resgate compulsório de PNCs se limites forem excedidos, além de estender 100% de tag along às ONs. O Conselho definirá o VC e a quantidade de PNCs antes da AGE.
Este arranjo societário consolida a disciplina de capital sem comprometer a capacidade de investimento e a previsibilidade de remuneração ao acionista. Em vez de um desembolso integral em caixa, a companhia converte parte da reserva em capital (PNC) e equaliza o prêmio das preferenciais via PNR, mantendo folga para o ciclo de obras reguladas. Essa trajetória já vinha sendo materializada pelos R$ 4,3 bilhões em dividendos intermediários aprovados em novembro de 2025, que reafirmaram a régua de distribuição ancorada em RAP, eficiência operacional e portfólio simplificado. Ao combinar bonificação, preservação de direitos econômicos e proteção da estrutura de capital votante, a empresa melhora a coerência entre governança e alocação de capital.
Diferentemente de uma política exclusivamente apoiada em caixa no curto prazo, a engenharia proposta conversa com o funding de longo prazo e com a necessidade de sustentar um pipeline de transmissão de múltiplos anos. A companhia vem casando duration dos passivos com receitas indexadas e diluindo risco de refinanciamento, como no alongamento de passivos e diversificação de fontes na captação de R$ 3 bilhões em debêntures aprovada em 13/11/2025. A estrutura PNC/PNR, ao reduzir pressão imediata de caixa e evitar diluição, preserva espaço para CAPEX em ativos regulados e estabilidade do SIN, ao mesmo tempo em que mantém o direito econômico das preferenciais e aporta clareza sobre a trajetória de conversão para ON até 2031. Em termos práticos, o investidor passa a enxergar um binômio de previsibilidade: receitas estáveis de longo prazo e governança acionária que desincentiva concentração excessiva de voto, reforçando o modelo de capital pulverizado.
Por fim, os ajustes de poison pill, a extensão de 100% de tag along às ONs e a criação de uma classe temporária e conversível (PNC) reforçam o reposicionamento pós-privatização, que elevou o sarrafo de governança e simplificação societária. Esse capítulo dá continuidade ao rebranding para AXIA e foco em governança e plataformas reguladas, no qual a companhia vem trocando volatilidade por previsibilidade, limpando legados e alinhando todos os instrumentos — capital, dívida e estatuto — à geração consistente de valor no longo prazo. Em suma, a AGE proposta não é um ato isolado: ela costura política de dividendos, engenharia de balanço e proteção da estrutura de controle, consolidando a narrativa de disciplina e criação de valor sustentável.







